Baixa do Rio Paraná prejudica exportação da Argentina e Paraguai

 Baixa do Rio Paraná prejudica exportação da Argentina e Paraguai

(Por Planeta Arroz) Os baixos níveis das águas do rio Paraná, na Argentina, estão forçando os exportadores de grãos a reduzir o tamanho de suas cargas, segundo relatório da Reuters em 15 de julho. A seca no Brasil, de onde nasce o rio Paraná, atrasou a movimentação de milhares de toneladas.

O rio transporta cerca de 80% das exportações agrícolas da Argentina para o Oceano Atlântico e é responsável por todas as exportações marítimas do Paraguai. Julho é um dos meses mais movimentados para embarques de milho e soja na Argentina e também da safra de verão paraguaia, que em 2021 atrasou por causa justamente da estiagem.

Grupos ambientalistas disseram à Reuters que estão preocupados com o impacto da dragagem do rio abaixo de uma certa profundidade. O nível da água já está mais de 5 pés abaixo do calado normal de navegação, disse Guillermo Wade, gerente da Câmara de Porto e Atividades Marítimas da Argentina.

Ele observou que os navios Handymax e Panamax estão transportando cerca de 10.000 toneladas a menos do que o normal para evitar que fiquem pesados ​​e atolados no fundo do rio.

A Argentina é o primeiro exportador mundial de farelo de soja usado para ração animal e o terceiro maior exportador de milho.

Enquanto isso, as imagens de satélite mostram a situação crítica do Rio Paraná. A União Europeia divulgou imagens nesta quarta-feira do rio comparando a situação em julho de 2019 e julho de 2021 em que é notável o efeito da seca de dois anos sobre o manancial, um dos mais importantes da América do Sul e crucial para o abastecimento de água e energia elétrica de dezenas de milhões de pessoas na Argentina, Paraguai e Brasil.

O Rio Paraná, em Santa Fé, na Argentina, chegou nesta semana ao nível de apenas 0,25 metro e ficou perto da marca de 27 de junho do ano passado, quando o rio atingiu a sua menor marca desde a seca de 1970. Hoje, na capital da província argentina de Entre Rios, o Paraná estava com nível em -0,12 metro, ou seja, 12 centímetros abaixo do nível do mar. O valor médio do nível no mês de julho na localidade é de 3,10 metros.

A situação é descrita como “alarmante” pelos vários impactos econômicos e ambientais. O Instituto Nacional de Águas da Argentina divulgou um relatório em que aponta que “a atual perspectiva climática obriga a revisar permanentemente as projeções ante a possibilidade de se repetir as condições da seca de 1944, a maior baixa do Rio Paraná já registrada”.

Em Rosário, em Santa Fé, depois de alcançar um pico de 1,10 metro no dia 8 de junho, o Rio Paraná no dia 27 baixou para -3 centímetro, logo três centímetros abaixo do nível do mar, o que não se observava desde setembro de 1970. O nível médio do Paraná em junho em Rosário foi de 41 centímetros, o menor para o mês desde 1996, e muito abaixo do nível médio histórico mensal de 2,44 metros.

SITUAÇÃO É CRÍTICA NO BRASIL

Dados obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo junto ao Operador Nacional do Sistema e divulgados em reportagem mostram que o quadro do Rio Paraná hoje é crítico e tende a piorar com a temporada seca do inverno no Brasil Central, o que agrava o risco de que nos próximos meses possam ocorrer medidas mais extremas como racionamento de luz.

O cenário muito grave é observado em quase todas as barragens localizadas na Bacia do Rio Paraná que abastecem as regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

São dezenas de usinas espalhadas pela calha principal do Rio Paraná e pelos rios que compõem a sua bacia, como Paranaíba, Grande, Tietê, e Paranapanema. A Bacia do Paraná responde hoje por mais da metade da capacidade nacional de geração de energia do País. (*Com informações da Reuters, World Grain, MetSul e Clarín)

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