Conab vê média de R$ 85,00 a R$ 91,00 por saca no ano

 Conab vê média de R$ 85,00 a R$ 91,00 por saca no ano

Projeção de preços médios e limites inferiores e superiores com base no cenário de abril. Fonte: Conab

(Por AgroDados/Planeta Arroz) A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê a média de preços da saca de 50 quilos do arroz em casca ao produtor do Rio Grande do Sul variando entre R$ 85,00 e R$ 91,00 em 2021. A projeção leva em conta um modelo econométrico baseado em séries de preços temporais em reais, portanto pode mudar a cada 30 dias. Pela estimativa, o teto do ano seria R$ 103,35 e o piso, R$ 72,76.

As informações foram apresentadas à Câmara Setorial do Arroz, na semana passada, pelo economista Sérgio Roberto Gomes Santos Júnior, que
lembrou o fato do ano ter começado com o cenário de oferta nacional ajustada e expectativa de preços internos elevados, mas que houve valorização do real frente ao dólar e os preços internacionais tiveram queda. “O nosso arroz esteve menos competitivo lá fora”, observou o analista.

Para Santos Júnior, podem determinar alta nas cotações: oferta menor da safra colhida; concorrência do Mercosul e o fato dos produtores estarem capitalizados após a boa remuneração na última temporada. Em contrapartida, vê como fatores baixistas ao grão nacional a expectativa de expansão de área na próxima safra; rendimento abaixo da média histórica; real valorizado; redução do consumo em 2021 e das paridades de importação, além
da perspectiva de queda no superávit da balança comercial.

“Os preços devem reduzir durante o ano, mas a estimativa é de boa rentabilidade ao produtor”, afirma. No entanto, o economista alerta para o fato do cenário de baixa oferta no início do ano poder evoluir para um comportamento do mercado fora da usual sazonalidade de preços, uma vez que o período de safra e logo após a safra costuma ser o de preços mais baixos. “Embora próximos da estabilidade até abril, e os efeitos de maio, os preços ainda podem ser impactados por esta forte retenção de oferta com um fenômeno que já vimos em outras temporadas, o chamado mercado invertido, que são preços mais baixos no segundo semestre pela pressão de oferta mais concentrada”, enfatiza Sérgio Roberto Gomes Santos Júnior.

A ressalva é de que a recente valorização do real e revisão da produção interna poderão influenciar que o mercado opere mais próximo do limite inferior das projeções.

Rentabilidade marcou os cinco primeiros meses

Com preços e produtividade histórica na temporada 2020/21, a safra de arroz do Sul do Brasil (80% da produção do grão no país), em todo o período de colheita, manteve-se altamente rentável. As cotações entre 4 de janeiro (R$ 93,48 = US$ 17,77) e 28 de maio (R$ 79,51 = US$ 15,24), pelo Cepea/Esalq, caíram 14,94% em reais ou R$ 13,97 por 50 quilos, em casca (58×10) no Rio Grande do Sul. Isso são R$ 279,40 por tonelada. Em Santa Catarina recuaram 13%, de R$ 92,00 para R$ 80,00.

Em dólares, a diferença é de US$ 2,53, ou de 14,23%, baseada também na volatilidade cambial. Após recordes de preços de 2020, que chegaram a R$ 106,34, segundo o indicador, em 13 de outubro, equivalentes a US$ 19,08. O pico de preços em dólar aconteceu em 17 de setembro de 2020: a saca bateu em 105,32. Pelo câmbio daquele dia, US$ 20,11. Do teto em reais, até 30 de maio, os preços desidrataram R$ 26,83 ou 25,2%. Em dólar, 23,7% ou US $ 4,77.

O recuo de preços em maio, que acumula 8,23% em 30 dias, e ao longo de 2021, tem causas claras. A primeira é o aumento da produção, enquanto o consumo voltou aos patamares anteriores à pandemia, segundo o varejo. Outro fator é o câmbio, que combinado às cotações domésticas tornaram o Brasil pouco competitivo. A alta dos fretes, internos e marítimos, atrapalhou. Até abril, agricultores resistiram à ofertar. Quem tinha, preferiu comercializar a soja, a altos preços, e outros produtores seguraram vendas esperando forçar a volta aos R$ 100,00.

Mas, sem exportar, sob baixa demanda interna e com indústria e varejo conhecendo a existência de estoque substancial com os agricultores, e a chegada do vencimento das CPRs, do custeio – este ano sem prorrogação – e o alto custo de financiar a comercialização, e temendo queda maior ainda, os produtores ficaram pressionados e passaram a ofertar.

A lição que fica é de que por 25 ou 50 centavos de real por saca, os arrozeiros, no final de abril, perderam a oportunidade canalizar pelo menos 25 mil toneladas do grão a preços competitivos ao exterior e garantir mais um embarque de 25 mil toneladas, enxugar a pressão interna no restante do ano. Houve produtor que não vendeu arroz a R$ 91,50, posto no porto, na primeira semana de maio e viu as cotações, da Fronteira Oeste despencarem abaixo dos R$ 78,00 em três semanas.

TENDÊNCIA

Para Sérgio Roberto Santos Júnior, da Conab, apesar da retração, a tendência é de que os preços ao longo de 2021 também sejam rentáveis ao produtor, embora em patamares menores do que na temporada passada. O temor é de que a sazonalidade de preços inverta sua lógica, e apresente cotações menores no segundo semestre. No atual cenário, um risco real.

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1 Comentário

  • Piso = R$ 72,76 ??? De onde tiraram esse valor??? Percebo uma intensa movimentação já agora em importar arroz justamente para tentar implodir nosso mercado cambaleante! Engraçado que dai o governo não interfere… Óbvio que estando bom para a industria e o varejo a situação está sob controle… Mas se esquecem que a resposta vai ser dada em outubro ou novembro! Esqueçam que a area plantada com arroz será a mesma do ano passado! Mas esqueçam mesmo Srs. Industriais! Pagaram R$ 90 nas CPRs e estão tirando o “talo” em nós… Estão trancando as exportações para não faltar arroz no mercado interno! Lembrem-se que se não pagarem R$ 100 este ano terão que pagar R$ 120 no ano que vem! Terras prontas para arroz ou soja! Cartas na mesa a escolha será de vocês.

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