Da revolução agronômica à agricultura de processos

 Da revolução agronômica à agricultura de processos

 Escrever sobre os avanços da lavoura arrozeira do RS nos últimos 20 anos e prospectar as tendências para os próximos 20 é um desafio. Este período se confunde com minha atuação profissional em prol dos arrozeiros da América Latina, e se meus planos derem certo, estarão dentro desta linha temporal.

Nos últimos 20 anos os avanços no manejo foram fantásticos, resultando em incrementos de 60% nos rendimentos em uma área aproximada de 1 milhão de hectares, façanha única no mundo. Passamos de 5 para 8 milhões de toneladas produzidas, fortalecemos a cadeia produtiva, geramos empregos, impostos, etc., e o melhor, utilizando recursos naturais de forma responsável.

Mas, o passado exitoso não é garantia de futuro próspero; os produtores, base da cadeia produtiva, vivem dias difíceis, espremidos por altos custos de produção e sistemas de financiamento e comercialização que seguem as leis do mercado, que somados à inabilidade do governo que não cumpre papel regulador, levam a um cenário de incertezas.

Assim, a forma de subsistir é melhorar produtividade e reduzir custos de produção, via agricultura de processos, com base em rotação e diversificação de culturas, plantio direto e manejo de precisão. Esta base técnica resulta em redução do uso de máquinas, combustíveis e agroquímicos e valoriza a mão de obra para o cumprimento das etapas de manejo em tempo e forma.

Exemplo foi o Projeto 10+ do Irga, em parceria estratégica com o Fundo Latino-americano do Arroz Irrigado (FLAR), implementado de 2016 a 2019, que capacitou o novo quadro de técnicos e agrônomos da DATER em técnicas de agricultura de processos e no sistema de transferência de tecnologia “Produtor a Produtor®”. Em três anos de projeto foram capacitados de 12 mil produtores e técnicos em 252 roteiros em 366 lavouras demonstrativas no RS.

Os frutos do trabalho foram sentidos nas primeiras safras, onde mesmo com problemas climáticos o rendimento médio se manteve elevado, porém na safra de 2019/20 a tecnologia mostrou-se poderosa, e os produtores gaúchos produziram a maior safra da história, superando 8.400 Kg/ha, patamar que deve manter-se nos próximos anos.

O futuro do arroz no RS é promissor; temos um sistema de pesquisa consolidado, que aporta tecnologias de forma sistemática; oferta ambiental, que propicia altos rendimentos e qualidade superior do grão; oferta de água e produtores apaixonados pelo trabalho. Isso traz a certeza de que em 2040 estaremos produzindo arroz de alta qualidade, com rendimentos acima de 10 mil kg/ha, livre de resíduos de agroquímicos e valorizado nos mercados.

Um reconhecimento especial ao Irga, instituição que há 85 anos trabalha e é o grande responsável pelo êxito da cadeia produtiva do arroz.

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