Felizmente o mercado mudou!

(Por Percio Machado Greco – Diretor Comercial Rice Brazil Inc)

Felizmente o mercado mudou!

A frase e uma antítese de uma expressão usada no mercado do arroz para a clássica, desistência do negócio: quando o mercado oscila rapidamente, para mais ou para menos, usadas para comprador e vendedor. Sim, agora “o mercado mudou”, o cenário é outro e eu explico o por quê:

Nunca na história do mercado do arroz, o produtor esteve na situação atual, de ser o formador de preços, com uma margem de lucro confortável e, para muitos, experimentando a segunda safra com preços remuneradores. E isso se constata em pleno final de safra, com o arroz valendo aproximadamente R$90,00 a saca de 50kg no Rio Grande do Sul.

O mercado sempre foi apertado, para não dizer ruim, ao produtor. Antigamente, era estratégia de comercialização – e as vezes necessário – vender-se um lote significativo na safra e depois esperar para dar a “grande tacada”, ou seja, acertar o pico de preços que normalmente se dava na entressafra, lá para outubro. Sempre lembrando que no mercado do arroz, a certeza de preços e da existência deste pico nunca existiu normalmente…

O que ocorre hoje é uma realidade diferente: o mercado do arroz mudou. Mudou porque tem um produtor capitalizado capaz de ditar as regras, que não precisa desovar rapidamente o produto de sua colheita para pagar as contas, nem na safra e nem depois. Simples assim. Porém, nem o produtor e nem as indústrias, ainda, aprenderam a lidar com essa nova conjuntura.

A indústria que antes ditava as regras de preços na safra, sob este novo cenário atualmente não encontra disponibilidade de grão à venda para seguir girando os motores, enquanto o arrozeiro, por outro lado, não tem pressa de vender e nem faz ideia do que realmente vai acontecer no mercado. Resultado: mercado travado em plena safra, sem volume de negócios, simplesmente a comercialização não flui…

É realmente um novo momento, que exige adaptação a um novo modelo da gestão comercial, mas os players desse mercado ainda não sabem como lidar com isso. O tempo seguramente vai dar as coordenadas para este momento e em um ou dois anos se fará a leitura mais concreta. A exemplo do que acontece com outras commodities, o arroz precisa e de um norte, uma referência, um target; um balizador para o mercado. A resposta deste processo, todo, é a consolidação de um mercado futuro para o grão no Brasil.

Cabe à cadeia produtiva, agora, sob pena de andarmos errantes num mercado sem norte e sem bússola, trabalhar nesse tema a fim de termos efetivamente esse mercado ativo, consolidado, funcional. Temos que nos dar conta de que, sem isso, vai ser difícil para todos os agentes ao longo da cadeia produtiva, chegarem a bom termo e os humores do mercado – e até a falta de informações mais claras – nos deixarão a deriva num imenso mar de incertezas comerciais, econômicas e setoriais.

Com as ferramentas do mercado futuro, o mercado vai oscilar menos e não haverá a necessidade de buscar o ano todo pelo acerto do alvo numa janela que tende a ser, cada vez mais, minúscula. Sem alvo, não há o que acertar…

Pensem nisso, pois felizmente o mercado mudou!

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1 Comentário

  • Análise de mercado parcialmente contundente, vejamos, de fato o mercado mudou, e isto não pode ser atribuído a indústria que sempre manteve a postura arrogante, espoliativa e ditadora de preços ao produtor. A mudança de atitude do produtor, forçado ou não reduziu área, é que fez a diferença, colocando menos produto em oferta. Outro fator a ser considerado foi a política governamental, com a troca de um governo populista corrupto para um governo liberal conservador, a política econômica liderada por Paulo Guedes, tomou outro rumo com relação a flutuação do dólar, o que beneficiou os nossos produtos para a exportação. Estes fatores, redução de área e competitividade no mercado internacional favorecido pela moeda, revelou-se ao produtor como um oásis no meio do deserto após décadas de prejuízos subsequentes. Mas cabe uma ressalva, a pandemia com o fique em casa, também teve participação, com a reafirmação do arroz como alimento indispensável na dieta da população. Espera-se bom senso para todos os envolvidos na cadeia produtiva daqui para frente, tanto produtores como indústria e varejo, que o passado ensine a tentar prever o futuro, principalmente a indústria que não veja o produtor como mero fornecedor de matéria prima, passando a ser um colaborador remunerado com preços justos.

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