Inverno começa com expectativa de melhor frequência e volume de precipitações no RS

 Inverno começa com expectativa de melhor frequência e volume de precipitações no RS

Foto: Divulgação

(Por Jossana Ceolin Cera*) 

Condições meteorológicas ocorridas em maio de 2021 no RS

Diferentemente de abril, e divergindo do prognóstico, o mês de maio apresentou precipitação superior à média em 2021 no Rio Grande do Sul (Figura 1). Os maiores volumes ocorreram em áreas das cinco regionais do Irga (Fronteira Oeste, Campanha, Região Central e Planícies Costeira Interna e Externa). Os volumes superaram os 200 milímetros em alguns locais (Figura A). Já a Zona Sul teve valores de precipitação abaixo dos 75mm, não alcançando os valores da Normal Climatológica da região (Figura 1B).

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Mapa da precipitação acumulada e da anomalia da precipitação durante maio de 2021 no RS

Figura 1. Mapa da precipitação acumulada (A) e da anomalia da precipitação (B) durante o mês de maio de 2021 no RS em relação à média climatológica (relativa ao período 1981-2010). As escalas de cores indicam, em milímetros, o acumulado de precipitação (A) e a anomalia de precipitação (B), em que valores positivos (azul) indicam precipitação acima da média e valores negativos (laranja-vermelho) indicam precipitação abaixo da média. Fonte de dados: INMET.

As precipitações tiveram maior frequência (Figura 2), o que favoreceu o melhor desenvolvimento das pastagens e coberturas de inverno. No entanto, esses valores acumulados de precipitação ainda são insuficientes para aumentar o nível dos reservatórios no RS, que continuam baixos.

Na média geral do mês de maio, a temperatura mínima ficou abaixo da normal em todo o RS. Já a máxima ficou entre normal e abaixo da normal. Na Figura 2 observa-se que houve temperaturas mais elevadas, somente no início do mês (veranico). Após, as temperaturas oscilaram entre os valores médios e abaixo da média.

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Temperaturas máxima e mínima diárias, suas respectivas normais climatológicas e precipitação pluvial diária em maio de 2021

Figura 2. Temperatura máxima e mínima diária (°C), suas respectivas normais climatológicas (NC) (°C) (relativas ao período 1981-2010) e precipitação pluvial diária (mm), referente a maio de 2021, em seis municípios da Metade Sul do RS, que representam as seis regiões arrozeiras do RS. Fonte de dados: INMET.

Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño-Oscilação Sul) e perspectivas

As condições Neutras do ENOS (El Niño-Oscilação Sul) continuaram sendo observadas durante o mês de maio de 2021, segundo o relatório da NOAA-CPC (National Oceanic and Atmospheric Administration, Climate Prediction Center), divulgado no dia 10 de junho de 2021.

O Oceano Pacífico Equatorial ainda apresenta regiões com anomalias negativas de temperatura, onde a média de maio ficou em -0,3 °C na região Niño3.4 (Figura 3). Essas oscilações da Temperatura da Superfície do Mar são normais.

A temperatura das águas do Oceano Atlântico Sul continuou com anomalia positiva (Figura 3), indicando que este padrão deve ter favorecido as chuvas no RS. E a expectativa é de que a temperatura nesta região permaneça com valores positivos.

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Anomalia da Temperatura da Superfície do Mar em maio de 2021

Figura 3. Anomalia da Temperatura da Superfície do Mar no mês de maio de 2021. O retângulo central na imagem mostra a região do Niño3.4, a qual os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (índice que define eventos de El Niño e La Niña). Já o retângulo menor mostra a região Niño 1+2, que modula a qualidade, ou seja, a regularidade das chuvas no RS. Fonte: Adaptado de CPC/NCEP/NOAA.

A evolução temporal da anomalia da temperatura das águas subsuperficiais (Figura 4) mostra que a bolha de águas com temperaturas acima do normal, presente desde março no Pacífico Equatorial subsuperficial, está se dissipando, sem ao menos ter ressurgido em superfície. Com isso, e baseado nas projeções climáticas, descarta-se qualquer chance de um El Niño para a safra 2021/2022.

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Anomalia da temperatura subsuperficial das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico em relação à profundidade

Figura 4. Anomalia da temperatura subsuperficial das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico (°C) em relação à profundidade (de 0 a 300 m). Pêntadas significam média de cinco dias consecutivos. Fonte: Adaptado de CPC/NCEP/NOAA.

Precipitação no trimestre julho, agosto e setembro de 2021 no RS

Segundo as previsões do modelo do IRI (International Research Institute for Climate Society), a fase Neutra tem 78% de probabilidade de continuar no trimestre Jun-Jul-Ago e 66% no trimestre Jul-Ago-Set. Ainda segundo o IRI, há em torno de 60% de chance de as precipitações serem abaixo da média nas regiões norte e nordeste do RS. Nas demais regiões, segundo esta fonte, são de que as precipitações fiquem dentro da normal.

O modelo CFSv2 (Climate Forecast System, da NOAA-CPC) ainda prevê precipitações abaixo da média para o trimestre Jul-Ago-Set. Já a previsão do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) indica precipitação entre 10 e 50 mm acima da média em julho, na Zona Sul, e dentro do normal nas demais regiões. Para agosto, o modelo prevê precipitações dentro a abaixo da normal climatológica na maior parte das regiões. E, para setembro, o modelo prevê precipitação acima da média para áreas da Campanha, Zona Sul toda a faixa leste do RS. Vale lembrar, também, que setembro tem maior volume de precipitação, quando comparado aos meses de inverno. Logo, mesmo que as precipitações fiquem dentro do normal, deverá haver bons volumes de chuva, isso se essa previsão se concretizar. (Figura 5).

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Precipitação total prevista e anomalia de precipitação prevista, para julho, agosto e setembro de 2021 no RS

Figura 5. Precipitação total prevista e anomalia de precipitação prevista, para julho, agosto e setembro de 2021 no RS. Fonte: adaptado de INMET.

Com a previsão de a fase Neutra predominar até o final do inverno, a expectativa é de que as chuvas fiquem dentro do padrão normal. As oscilações, para cima ou para baixo, nos volumes de precipitação, são normais, ainda mais quando se tem o Oceano Pacífico Neutro, com viés negativo.

Nesta segunda-feira (21), às 00h32min, começou o inverno no calendário, pois o inverno meteorológico iniciou antes, com as baixas temperaturas dos últimos dias. Para julho e agosto, a expectativa é de temperaturas dentro do padrão normal. Já para setembro, o modelo aponta para anomalias positivas na temperatura, possivelmente devido ao maior número de dias com chuva, previsto pelo modelo do INMET.

No entanto, o que ainda preocupa, são os níveis dos reservatórios, que continuam abaixo do nível esperado para iniciar a próxima safra agrícola. As chuvas têm ocorrido com maior frequência do RS, mas os volumes ainda são baixos e mal distribuídos.

Situação atual dos reservatórios nas seis regionais do IRGA

  • Fronteira Oeste: Reservatórios estão com 47% da capacidade.
  • Campanha: Reservatórios estão com 45% da capacidade.
  • Região Central: Reservatórios estão com 40-50% da capacidade.
  • Planície Costeira Interna: Barragens e açudes com 50% da capacidade. Reservatório da AUD com 25% da capacidade. Lagoa dos Patos salinizada.
  • Planície Costeira Externa: Rios e arroios recuperados, mas necessitam de regularidade nas precipitações para se manterem. Lagoas com bons volumes. Açudes ainda abaixo da capacidade.
  • Zona Sul: Reservatórios estão com nível abaixo do ideal.

Se as previsões se concretizarem e chover dentro dos valores normais é possível que a maioria dos reservatórios esteja em condições de suprir a necessidade hídrica da safra 2021/2022.

Até o início da semeadura da próxima safra, o produtor deve aproveitar os períodos de tempo seco para a realização das operações de preparo de solo, se ainda não o fez. Esta antecipação é importante, para não haver atraso nas semeaduras de arroz e de soja safra 2021/2022. As operações relacionadas à melhoria da drenagem da área, que inclui também a limpeza de drenos já existentes, devem ser realizadas.

*Jossana Ceolin Cera é meteorologista, doutora em Engenharia Agrícola pela UFSM e consultora do Irga.

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