Preços firmes, mesmo com os leilões

Falta de produto na indústria e oferta de arroz de baixa qualidade nos leilões da Conab mantêm o mercado aquecido .

Os preços do arroz mantiveram-se firmes esta semana nos três principais estados produtores do Brasil: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso. E a expectativa para a primeira semana de fevereiro é de manter-se nestes patamares. Embora tenham crescido as informações de corretores sobre a venda de arroz verde por até R$ 18,00 a saca na Depressão Central, a indústria fez novo esforço de compra esta semana dando maior sustentação ao mercado. A leitura dos analistas para a semana é de que a indústria gaúcha não tem estoque disponível até a entrada da próxima safra e que o arroz colocado lá dentro é depositado por produtor que ainda não vendeu ou da Conab.

Durante a semana algumas indústrias e armazéns foram flagradas com diferenças nos estoques públicos, o que gerou novo pedido de fiscalização mais intensa e rígida da Conab, por parte dos produtores. Quarta e quinta-feira desta semana foram dias de indústria demandando, mas na sexta-feira algumas das principais empresas gaúchas se retiraram do mercado para aguardar o feriadão de Carnaval e estudar os movimentos do setor. Acredita-se que a curta semana que vem terá mercado estável, talvez até apresentando alguma alta.

Esta tendência, que muitos analistas e agentes de mercado já não acreditavam por causa dos leilões, está mantida por duas razões: os leilões da Conab apresentaram muito arroz de baixa qualidade (caso de armazéns da Fronteira-Oeste na última quinta-feira – 31/01) e as indústrias estão com estoques baixos. A negociação de 51% da oferta estava mais ou menos dentro do que previam os corretores.

A Conab anunciou novo leilão para o dia 11/02, com arroz depositado na indústria, que poderá ter maior demanda dependendo do preço e da qualidade. Se o mercado mantiver-se no patamar atual ou com ligeira alta e o arroz leiloado for de boa qualidade, pode aquecer as vendas oficiais. A garantia de venda do arroz na safra por pelo menos R$ 22,00, com os mecanismos de comercialização garantidos pelo governo federal, alonga o equilíbrio do mercado.

Os dados do Cepea/Esalq e BM&F, indicaram a cotação média da saca de 50 quilos do arroz em casca no território gaúcho, com 58% de inteiros, entregue na indústria (frete incluso), em R$ 25,67, quatro centavos acima dos R$ 25,63 registrados na quinta-feira.
No mês, o produto acumula variação positiva de 0,22%, o que ainda não é significativo. O indicador demonstra que houve uma estabilidade nos preços com relação à semana passada, quando o arroz chegou a R$ 25,68 posto na indústria. O produto se mantém na faixa de 60 centavos abaixo do custo estimado de produção para o arroz irrigado gaúcho.

Na maioria das praças, o preço referencial ao produtor gira entre R$ 24,00 e R$ 25,50, exceto no Litoral Norte e para as variedades nobres em outras regiões. Em Capivari do Sul, o arroz de 63% de inteiros, das variedades nobres, é comercializado por até R$ 31,00 a saca, com melhor volume de negócios na semana que encerra. Na fronteira, preços pouco abaixo para produto mais de 60% de inteiros destas variedades: R$ 28,00 a R$ 30,00. Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Alegrete, Santa Maria, Guaíba e Tapes mantém preços entre R$ 24,00 e R$ 25,00 ao produtor, posto na indústria, com oferta menor esta semana. Uruguaiana, Pelotas, Camaquã, Itaqui e São Borja, negociam na faixa de até R$ 25,50 o arroz colocado na indústria (frete incluso). Corretores e representantes das indústrias passaram a negociar de forma mais insistente arroz verde com os produtores.

SANTA CATARINA

O mercado catarinense manteve negócios negócios entre R$ 22,50 e R$ 24,50, dependendo da região. No estado, há maior oferta do que no Rio Grande do Sul, pois o clima permitiu o plantio mais cedo e algumas regiões já estão colhendo.

MATO GROSSO

No Mato Grosso a saca de 60 quilos do arroz longo fino manteve a estabilidade entre R$ 28,00 e R$ 32,00 dependendo da praça. Em Sinop e Sorriso a cotação é mantida, em média, a R$ 30,50, enquanto em Cuiabá e Várzea Grande asseguram valoração de até R$ 35,00. Esta semana a Embrapa estará lançando novas variedades de arroz longo fino em Sinop, o que poderá assegurar melhor qualidade à safra 2008/09.

INDÚSTRIA

As indústrias do Sul do país começaram a semana com cautela, mas foram às compras na quarta e quinta-feira, principalmente na Fronteira-Oeste, o que manteve os preços estáveis apesar do leilão da Conab. A indústria se deu conta que a qualidade do produto nesta região não era a mesma que procurava e passou a buscar negociação direta com os produtores, principalmente aqueles que têm arroz depositado nas empresas. Alguns casos registrados de arroz negociado como 58% de inteiros e, na hora da amostragem, apontar 53% e 54% de inteiros por conta dos problemas de armazenagem e deterioração.

O varejo segue bastante recuado, esperando uma baixa nos preços a partir do ingresso do produto da nova safra. Na última semana a média dos preços do fardo do arroz beneficiado manteve-se na faixa de R$ 36,00 a R$ 37,00. O fardo de 30 quilos do arroz tipo 1 chega a São Paulo entre R$ 30,00 e R$ 48,00 dependendo da marca e das características do produto (FOB).

A saca de 60 quilos do arroz beneficiado é cotada a R$ 53,00 segundo dados da Corretora Mercado, de Porto Alegre, chegando entre R$ 69,00 e R$ 73,00 em São Paulo. A mesma corretora cota a saca de arroz em casca de 50 quilos (padrão) em R$ 25,50, com alta de R$ 1,00 relativa à semana passada, o canjicão a R$ 34,00 e a quirera a R$ 27,00 a saca. A tonelada do farelo de arroz fica em R$ 320,00.

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