Vermelho em foco

 Vermelho em foco

Arroz-da-terra: produto é muito apreciado no Nordeste

Governo da Paraíba
investe na produção
do arroz-da-terra
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A Paraíba investe para manter a posição no ranking nacional de maior produtor brasileiro de arroz vermelho, também conhecido como arroz-da-terra, cuja área é de aproximadamente 5 mil hectares – a metade da área plantada desta variedade no Brasil. Se depender do governo do estado a marca será atingida, tendo em vista os investimentos realizados pelo Projeto Cooperar em parceria com o Banco Mundial, destinando mais de R$ 1 milhão à implantação de oito unidades demonstrativas da cultura no Vale do Piancó. A colheita concentrou-se em janeiro e a previsão é de alcançar 72 toneladas nestas unidades.

As unidades demonstrativas, também chamadas de “lavouras da salvação” (opção de cultivo com equipamentos de irrigação na falta de chuvas), foram implantadas nos municípios de Pedra Branca, Nova Olinda, Curral Velho, Santana dos Garrotes e Itaporanga e estão beneficiando diretamente 133 famílias de produtores da agricultura familiar, cuja maioria explora as lavouras em sistema de consórcio com outras culturas, como o milho e o feijão.

Segundo o coordenador do Projeto Cooperar, Roberto Vital, o apoio do governo do estado, por meio do Cooperar, mediante instalação de unidades demonstrativas, precedidas de programação sistemática de capacitação e mediante disponibilidade de infraestrutura básica e operacional, ratifica a disposição do governo em contribuir no processo de resgate e consolidação do arroz vermelho como atividade econômica para o Vale do Piancó. “No próximo contrato do governo com o Banco Mundial esta será uma atividade prioritária no atendimento desse tipo de demanda,” frisou.

MUDANÇA
Para o agricultor Adeildo Mendes da Silva, da comunidade Saco da Pedra, zona rural de Nova Olinda, com os recursos do Cooperar foi possível instalar um poço artesiano, adquirir kits de irrigação e equipamentos fundamentais à colheita e beneficiamento do arroz vermelho. Ele tem a previsão de atingir a produção de 2,4 toneladas e faz planos de vendê-la para o município de Itaporanga.

“No ano passado não tinha água nem para dar ao gado. A gente tinha que puxar lata do cacimbão e levar os animais pra cima e pra baixo. Aqui nós só temos a opção de trabalhar na roça. Tem que viver da agricultura. Para quem não tinha nada, essa ajuda é tudo. Há três anos não conseguia tirar nada da agricultura. Agora vai ser diferente”, disse Mendes. O agricultor de Nova Olinda deverá ter um lucro de 140% com o cultivo do arroz vermelho, pois investiu R$ 2,5 mil e espera atingir um faturamento de R$ 6 mil. “Esse ano foi bom demais!”, comemorou.

Desafio nordestino
Cultivar arroz vermelho no Brasil tem sido um desafio: de um lado a falta de hábito dos consumidores, por outro, a forte influência exercida pela indústria do arroz branco. Mas a resistência tem sido uma característica marcante da maioria dos agricultores familiares que vive no Semiárido Nordestino superando os obstáculos das adversidades climáticas e buscando apoios institucionais, como na Paraíba, os incentivos governamentais para alavancar a cultura.

Segundo o especialista em fitotecnia do arroz e pesquisador da Embrapa Meio Norte, do Piauí, José Almeida Pereira, o arroz vermelho ainda é pouco conhecido fora dos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia e Ceará, cuja produção deve chegar a 20 mil toneladas anuais. É no Nordeste que a cultura abriga o maior plantador, especialmente no Vale do Piancó, na Paraíba, e o maior produtor, no Vale do Apodi, no Rio Grande do Norte. “A produtividade nacional é difícil de saber, mas a da Paraíba é de cerca de mil quilos/hectare, enquanto a do vizinho Rio Grande do Norte chega aos 3 mil quilos/hectare”, acrescentou.

José Almeida revela que o arroz vermelho também está sendo produzido no Vale do Paraíba (SP) e em Santa Catarina, mas são variedades diferentes. O que os torna diferentes do produto da Paraíba, porém, além das variedades, são as formas de beneficiamento. No caso do arroz nordestino, o produto final é historicamente comercializado e consumido na forma semi-integral, enquanto aquele oriundo de São Paulo e Santa Catarina é disponibilizado na forma integral. E, nesse sentido, o arroz vermelho integral é um produto inteiramente novo no mercado nacional.

RIQUEZAS
O pesquisador da Embrapa Meio Norte relata que a forma semi-integral contém menor valor nutricional do que a integral, mas não é por isso que o arroz vermelho detém a preferência dos consumidores nordestinos. A principal razão da preferência é o sabor. Além disso, o arroz integral (seja vermelho ou branco) requer mais tempo e energia para ser cozido. “Em termos de valor proteico, não existem dados comparativos. Mas quanto aos elementos químicos essenciais como o ferro e zinco, as pesquisas indicam que o arroz vermelho, em geral, é mais rico do que o arroz branco”, destacou.

Almeida: escolha das áreas deve ser cautelosa

FIQUE DE OLHO
José Almeida Pereira, pesquisador da Embrapa Meio Norte, no Piauí, considera que a metodologia de adoção das unidades demonstrativas é uma das mais recomendáveis em se tratando de estratégias visando à melhoria dos sistemas de produção no Nordeste. Todavia, faz uma ressalva: é imprescindível a seleção das localidades e dos agricultores dispostos a inovar e a modernizar os processos produtivos.

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