2º Levantamento da Conab indica produção ainda menor no Brasil
Produção de arroz deverá ficar entre 11,44 e 11,74 milhões de toneladas no Brasil na safra 2005/06.
O primeiro levantamento de intenção de plantio realizado pela Conab em outubro passado captou a forte intenção do produtor de arroz em reduzir sua área com a cultura, especialmente na Região Centro-Oeste. O motivo básico para esse tipo de comportamento está efetivamente relacionado com as dificuldades vividas na comercialização da safra 2004/05. É certo que o ano de 2005 foi particularmente difícil para a cadeia produtiva do arroz do Brasil, pois foi produzida a maior de todas as safras, gerando excedentes que deprimiram os preços internos.
No segundo levantamento os ânimos continuam contrários ao investimento no cultivo. Assim, a redução de área, em relação à da safra 2004/05 deverá ser entre 16,5% e 14,5%, ou perda entre 646,5 e 561,1 mil hectares. Em termos de distribuição destas perdas, vê-se que a Região Sul, responsável por 56% do total produzido na última safra, a queda estará entre 2,6% e 0,8%, ou seja, de pouca expressão. Entretanto, na Região Centro-Oeste, segunda produtora de arroz no Brasil, com 20,1% da produção, a redução de área estará entre 48% e 43,2%, em relação à safra passada. Essa região foi a que mais sofreu com a dificuldade de comercialização do arroz, especialmente em razão de sua distância dos centros de consumo.
ÁREA
Analisando os dados estaduais, nota-se que, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os produtores confiam na recuperação do mercado. O Rio Grande do Sul deve ter redução de área entre 3% e 1%, ou seja, redução entre 31,5 e 10,5 mil hectares, portanto pouco expressiva. Em Santa Catarina os agricultores indicam interesse em manter a área igual à do ano passado ou até aumentar 1%, com a incorporação de 1,5 mil hectares. Contrastando com esses dois estados, o Mato Grosso segue em sentido oposto, pois a área a ser plantada ficará entre 349,6 mil e 388,5 mil hectares, ou entre 55% e 50%. Seguem com indicação de reduções significativas, também, Tocantins com 45% e 40%, Goiás, com 28% e 24% e Mato Grosso do Sul, com 15% a 11%.
PRODUÇÃO
Com a área levantada e a produtividade média de 3.499 kg/há, ganho de 3,6% em relação à safra passada, o Brasil deverá produzir entre 11.439,0 e 11.742,5 mil toneladas, resultando em perda entre 13,5% e 11,2%, relativamente à safra passada. Da mesma forma, a redução na produção na região Sul será de 2,6% a 0,8%, enquanto que na Região Centro-Oeste deverá ter queda entre 45,7% e 40,7%.
No Rio Grande do Sul, além da leve redução de área, considera-se a possibilidade de uma pequena perda na produtividade, de modo que a produção do Estado ficará entre 6.006,8 e 6.130,7 mil toneladas, sendo seguido pelo Mato Grosso, com 972,6 e 1.080,8 mil toneladas, bem inferior à da safra passada (52,4% e 47,1%). No Estado de Santa Catarina, por ser uma região onde predomina a pequena propriedade e o produtor dedica=se a ela com o uso das melhores práticas, a produtividade é a mais elevada do Brasil, estimada em 6.800 kg/ha, resultando a produção entre 1.049,9 e 1.060,1 mil toneladas, ou seja, manutenção da produção ou aumento de 1% no limite superior.
PASSAGEM
Com os dados da produção, pode-se estimar o novo quadro de suprimento para o período comercial de março de 2006 a fevereiro de 2007. Para a safra 2004/05 estimou-se que as importações ficarão na casa das 700 mil toneladas. ?Considerando que a Argentina e o Uruguai ficarão com mais produto disponível para exportação e, tendo em vista a tendência de elevação dos preços internos com a redução da produção, abrirá mais possibilidades para a entrada de maior quantidade de arroz, de modo que pode-se elevar a expectativa para 900 mil toneladas para a próxima campanha.
Com relação às exportações, neste ano trabalhou-se com a expectativa de embarque de 400 mil toneladas, estando próximo de ser concretizada. Para a próxima campanha, com a menor oferta interna, a despeito de todo o esforço exportador, é possível que os embarques caiam para 250 mil toneladas. O consumo, a despeito, de já estar em um patamar bem importante, com os adventos das campanhas de incentivo ao consumo, que serão deflagradas brevemente, é possível estimar que atinja 13 milhões de toneladas.
Desta feita, o estoque final deverá ficar em 1.375,3 mil toneladas, ou seja, praticamente um mês de consumo, significando uma redução de 35,6% em relação ao passado. É importante notar que com o menor volume de estoques será possível para o produtor receber uma remuneração mais apropriada à sua atividade econômica e, como o suprimento está sendo complementado pelo volume substancial do estoque de passagem do ano anterior, não haverá risco de elevação de preços em patamares não desejados. Assim, os números até aqui divulgados e analisados apresentam-se como bons para todos os segmentos da cadeia produtiva do arroz.


