Mato Grosso insiste em anunciar redução de área

Preços pouco atraentes, pauta até R$ 10,00 superior ao preço de mercado e outros fatores podem reduzir a área plantada de arroz no Mato Grosso.

Os arrozeiros de Mato Grosso, segundo maior estado produtor do país, poderão reduzir para 300 mil hectares a área plantada no estado na safra 2004/05, menos que a metade da área destinada ao cereal na safra passada – 632,8 mil hectares, segundo a Conab. O principal motivo é o custo de produção, que subiu 50% nos últimos 12 meses, reduzindo também pela metade as margens de lucro dos produtores. “O setor tende a optar por culturas mais rentáveis, como a soja”, afirma Ângelo Maronezzi, presidente da Associação dos Produtores de Arroz (APA) de Mato Grosso.

Aldo Lobo, observa que o custo de produção do arroz de sequeiro (tipo Cirad) no Mato Grosso subiu de R$ 15 para R$ 25 por saca de 60 quilos nos últimos 12 meses, enquanto o preço ao produtor caiu de R$ 28 para R$ 27 a saca. Edson Melozzi, sócio da Agronorte, vai reduzir a área de arroz de 2,5 mil para 1 mil hectares, abrindo espaço para a soja, cujo plantio passará de 5 mil para 6,5 mil hectares. “Além de mais rentável, a soja oferece opções de financiamento e venda antecipada”.

Edegar Cella tem a mesma opinião. Proprietário de 350 hectares em Sinop (MT), ele deixará de plantar 200 hectares de arroz e se dedicará exclusivamente à soja. O produtor Antônio Galvan, com uma fazenda de 2 mil hectares em Vera (MT), é outro que vai reduzir a área de arroz – de 900 para 600 hectares – e investir na soja.

No Rio Grande do Sul, que lidera a produção nacional, também há preocupação quanto a uma redução na área de plantio, principalmente no oeste do Estado, responsável por 15% da safra brasileira. Segundo o Instituto Riograndense do Arroz (Irga) e a Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), os mananciais estão com 25% da capacidade e há tendência de troca do arroz pela soja. “No máximo, o Estado vai manter a mesma área da safra passada, de 1.039 hectares”, diz Marco Aurélio Tavares, diretor da Federarroz.

Em 2004, de acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil voltará a exportar arroz, fruto da boa produção em 2003/04.

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