Reforma da Barragem do Capané fica só no papel

A Barragem do Capané, um dos maiores mananciais hídricos do Rio Grande do Sul, em Cachoeira do Sul, está precisando de reformas para aumentar sua capacidade de irrigação da lavoura de arroz.

A Barragem do Capané, um dos maiores mananciais hídricos do Rio Grande do Sul, em Cachoeira do Sul, está precisando de reformas para aumentar sua capacidade de irrigação da lavoura de arroz. A barragem é o maior reservatório artificial de água da região central do estado e abastece atualmente cerca de quatro mil hectares de lavoura, mas enfrenta desde 1966 problemas no maciço (taipa).

A construção de um vertedouro, área para escape da água excedente, e a reforma nos canais de distribuição também são necessárias. O grande problema da Barragem do Capané é a falta de dinheiro para execução das obras, que deixariam o sistema em condições de irrigar até sete mil hectares de lavoura, 75% a mais.

O Governo do Estado não tem como bancar as melhorias, que podem variar de R$ 12,5 milhões (as mais simples) a R$ 50 milhões (reforma completa). O Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), administrador da Capané, também não tem como pagar a reforma e ainda enfrenta uma briga com os usuários do sistema, que pagam em juízo pelo uso da água.

O secretário estadual de Obras, Frederico Antunes, está tentando buscar recursos do Governo Federal, mas a tarefa não é fácil. Em dezembro do ano passado, quando os usuários da barragem optaram por uma de três alternativas de reforma, Frederico Antunes antecipou que as melhorias não poderiam ser esperadas para curto prazo, justamente em razão da falta de recursos do Estado, que nos últimos seis anos conseguiu apenas colocar no papel os estudos de propostas de reforma.

NEGOCIAÇÃO

A Associação dos Usuários da Capané (AUC) está negociando com o Irga assumir a parte de distribuição da água, que é feita através dos 26 quilômetros de valas principais. O presidente da associação, José Derli Mourales, acredita que assumindo parte do sistema será possível fazer um caixa durante duas décadas para as obras necessárias. A negociação com o Irga está evoluindo lentamente, mas Mourales espera conquistar até o final deste ano o direito de administrar a distribuição da água.

“A necessidade de reformar a Barragem do Capané é antiga e não há uma alternativa para fazer este trabalho a curto prazo”, analisa Mourales. O diretor comercial do Irga, Rubens Silveira, observa que um dos complicadores das negociações são as pendências de pagamento, já que os usuários estão depositando em juízo o preço cobrado pelo Irga para o fornecimento de água. “Estamos negociando, mas até o momento não existe nada de concreto”, observa Rubens Silveira.

PAGAMENTO

Os cerca de 50 usuários da água da Barragem do Capané pagam 7,47 sacos de arroz para cada hectare irrigado. A necessidade de construir o vertedouro levou os usuários do sistema a pagarem por seis anos 2,53 sacos de arroz a mais pelo uso da água, mas a obra nunca ganhou contornos reais. A contabilidade dos usuários aponta para um pagamento já feito de aproximadamente R$ 1,8 milhão.

O diretor comercial do Irga, Rubens Silveira, observa que há desencontros quanto ao preço cobrado e que, antes de superar estas diferenças, o instituto não tem como entregar para os usuários a administração dos canais de distribuição.

ALTERNATIVA

A empresa Ecoplan foi contratada pelo Governo do Estado em 1998 para desenvolver propostas alternativas para irrigação de lavouras na região de Cachoeira do Sul. A proposta inicial era a construção das barragens Capané e Capanezinho, que ficariam acima do nível da já existente Barragem do Capané.

A proposta seria investir cerca de R$ 50 milhões na construção dos dois reservatórios, que teriam capacidade para irrigar 15 mil hectares de campo e abriria a possibilidade de irrigar diferentes culturas. A Barragem do Capané seria esvaziada e abriria cerca de dois mil hectares de área de várzea para cultivo de arroz.

As discussões sobre os novos projetos duraram até dezembro do ano passado, quando a Ecoplan apresentou outras duas alternativas, uma para fazer uma reforma superficial e construção de vertedouro (R$ 12,5 milhões) e outra para uma reforma completa na Barragem do Capané e nos canais de distribuição (R$ 25 milhões). As propostas acabaram de vez com a sugestão de construir outros dois reservatórios.

O engenheiro Henrique Kotzian Filho, da Ecoplan, observa que as alternativas foram apontadas a partir de estudos e que ainda não existe um projeto definitivo. A Ecoplan recebeu do Estado cerca de R$ 1 milhão nos últimos seis anos.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter