Áreas de soja e arroz permanecem estáveis

Incertezas sobre o clima são um dos motivos da manutenção das áreas a serem plantadas no Rio Grande do Sul.

Os preços estáveis ou baixos e as mudanças climáticas dos últimos meses estão deixando os analistas da área de grãos com reservas em relação ao plantio das principais culturas de verão no Rio Grande do Sul. A Safras & Mercado, que apresenta hoje o seu relatório anual de intenção de plantio para a safra de 2004/2005, trabalha com a manutenção das áreas de arroz e soja na comparação com a colheita no ano agrícola anterior. Segundo o analista de soja do grupo, Flávio França Júnior, o atual preço da soja não desanima, nem gera euforia no produtor.

– A cotação da oleaginosa oscilou muito. No começo da colheita, a saca de 60 quilos estava cotada em R$ 55. Oscilou para baixo e para cima e agora está valendo R$ 38, o menor preço do ano – explica.

Conforme França Júnior, como não há grandes perspectivas de incremento em outras culturas – o preço do milho está em baixa, e a pecuária não motiva -, os sojicultores vão manter a área ou aumentá-la em, no máximo, 2%. Na safra 2003/2004, a soja foi colhida em 3,965 milhões de hectares, a maior área da história.

Em relação ao clima, França Júnior é ainda mais cético. Na sua avaliação, as previsões têm se revelado erráticas. Ou seja, não se sabe com certeza se choverá muito ou se haverá estiagem. O exemplo do último ano, em que a seca provocou quebras significativas na soja e no milho, não é esquecido pelos produtores. Ninguém previa isso.

A lavoura de arroz segue o mesmo rumo. De acordo com o analista de arroz da Safras & Mercado, Aldo Lobo, os produtores reclamam do atual preço de R$ 31 a saca de 50 quilos – tudo por causa da safra cheia do grão no Brasil e no Mercosul. No entanto, a cotação não será determinante na hora do plantio. Para Lobo, tudo dependerá de como se comportar o clima – neste momento, há uma certa preocupação com a falta de água.

– Neste cenário, dificilmente a área da cultura aumentará na comparação com a que foi colhida no ano passado (1,087 milhão de hectares) – acredita Lobo, para quem não haverá redução porque algumas regiões, como a Fronteira Oeste, não têm outra opção senão o arroz.

Segundo Lobo, no começo do ano, os meteorologistas previam um inverno seco e uma primavera úmida, o que ajudaria o arroz, que começa a ser plantado em setembro. Nada disso se confirmou e ninguém sabe se choverá o suficiente para encher os mananciais hídricos na época em que o arroz mais necessitar de água.

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