Semana de queda nos preços do arroz
Os preços do arroz em casca e beneficiado caíram no sul e no Mato Grosso esta semana. Pressões de importações do Uruguai e dos supermercadistas a espera de uma baixa por conta da isenção do PIS/Cofins estão impactanto o mercado nesta semana. Poucos negócios foram confirmados no casca. No beneficiado, poucos negócios e com tabelas reduzidas já com venda de arroz esbramado uruguaio beneficiado no sul.
A comercialização de arroz em casca e beneficiado no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso apresentou queda em volumes e nas cotações esta semana, tendência que deve ser seguida pelo restante do país. Um conjunto de fatores fez com que o arroz Primavera em casca perdesse R$ 1,00 em valor no Mato Grosso.
O saco de arroz Primavera de 60 quilos está sendo comercializado na faixa de R$ 31,00 a R$ 31,50 em Sinop. Em Sorriso, a cotação se mantém pouco acima, na faixa de R$ 32,00. O Cirad 141 mantém as cotações entre R$ 27,00 e R$ 28,00 para 60 quilos.
O arroz beneficiado Tipo 1 do Centro-Oeste vem sendo comercializado na faixa de R$ 36,00 a R$ 39,00 FOB/30Kg. Algumas empresas de Goiás e do Mato Grosso estão comercializando o produto a R$ 39,00 posto em São Paulo.
No Rio Grande do Sul a Emater/RS registrou uma queda de 0,71% nos preços do arroz em casca padrão (Tipo 1), que alcançou cotação média de R$ 30,23. Na semana anterior, a cotação média da empresa indicava R$ 30,45. Mesmo a comercialização de produto de qualidade superior, que mantinha-se firme na Fronteira e no Litoral Norte, na faixa de R$ 33,00 a R$ 34,00 parou a partir de quarta-feira.
BENEFICIADO
No caso do arroz beneficiado, há uma situação bastante diferenciada. No geral o mercado manteve-se parado esta semana, graças a uma pressão dos supermercadistas para que a indústria repasse para os preços do produto a isenção integral de PIS/Cofins que conseguiu com a Medida Provisória 183, publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira (26/07). As indústrias, no entanto, têm argumentado que a diferença do PIS/Cofins (do crédito presumido de 80% para a isenção total) não estava sendo considerada no custo.
O cenário é de mais uma queda de braço: os supermercadistas forçando a queda dos preços sobre a indústria e os produtores, na outra ponta, firmes para manter os preços acima dos R$ 30,00.
A alternativa da indústria gaúcha, neste momento, tem sido buscar arroz esbramado uruguaio em Rio Branco (Uruguai), com preços na faixa de R$ 24,00 (equivalência/50 Kg) ou arroz beneficiado argentino na faixa de 294/295 dólares a tonelada em Passo de Los Libres (Argentina). Posto em Eldorado do Sul, na região Metropolitana de Porto Alegre, o produto uruguaio custa R$ 26,40 (equivalência/50 Kg).
Empresas que saíram na frente e compraram maiores volumes no Uruguai já começam a oferecer tabelas mais baixas. Há notícias de fardos de arroz de 30 quilos, Tipo 1, colocados em Minas Gerais a R$ 37,50 FOB (R$ 42,50 de preço final). Internamente, os preços do casca não fazem concorrência ao produto uruguaio e argentino. Para concorrer e colocar o arroz no centro do país na faixa de R$ 37,50/Fardo 30Kg FOB, a indústria gaúcha teria que comprar o produto em casca no máximo a R$ 28,00/50Kg no Sul, ou R$ 1,69 abaixo do custo de produção por saco.
Um termômetro para a busca das indústrias gaúchas por produto do Mercosul é a Delegacia da Receita Federal em Santa Maria, que nunca registrou tanta atualização de cadastro de empresas de arroz, para a importação, como nas últimas duas semanas.


