Excedente do Mercosul preocupa

A interferência do arroz excedente do Mercosul chegou ao nível do insustentável no mercado brasileiro e vai exigir um conjunto de ações do setor, sob pena de colocar em risco a comercialização da próxima safra. Uruguaios estimam que o Mercosul colocará 1,4 milhão de toneladas de arroz no Brasil até a próxima safra.

Uma enxurrada de arroz esbramado e beneficiado excedente no Mercosul que está entrando no Brasil está levando o mercado nacional a um nível considerado “insustentável” pelo consultor e diretor de Mercado da Federarroz, Marco Aurélio Marques Tavares.

Segundo ele, nos próximos dias serão estabelecidas negociações com dirigentes argentinos e uruguaios para buscar diretrizes que impeçam o canibalismo no Mercosul. “No Brasil não temos excedentes nesta safra, mas o mercado reflete o excesso de produto que está entrando do Mercosul com esta pressão sobre os preços”, explicou Marco Tavares.

Ele revela que está sendo projetado um ingresso máximo de 800 mil toneladas de produto do Mercosul, no Brasil, projetando um estoque final de 1 milhão de toneladas, o que seria uma situação confortável para o mercado. Todavia, revela que na situação atual há um aumento de competitividade do produto do Uruguai e da Argentina e a pretensão, destes países, de alocarem um volume muito superior às 800 mil toneladas no mercado brasileiro, o que está impactando e influenciando o mercado.

ACORDO

Para Marco Tavares, o caminho para evitar o canibalismo no setor, como já visto em safras passadas, e uma geração de excedentes de difícil administração no bloco, é um acordo setorial. “Os parceiros do Mercosul precisam fazer um esforço em busca de terceiros mercados, pois estão causando grandes prejuízos ao mercado interno brasileiro à medida que tornou-se muito fácil jogar o produto no Brasil sem custos adicionais”, acrescenta.

Segundo ele, a situação é insustentável para o setor produtivo brasileiro e, por isso, sugere cautela ao setor na definição de área e investimentos neste momento de redefinição. “Vamos estabelecer tratativas com os dirigentes do setor nos países vizinhos para estabelecer algumas diretrizes que evitem prejuízos maiores”, explicou Tavares.

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