Mercado sob pressão
Os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul estão pressionados pela presença maciça de produto excedente do Mercosul no mercado brasileiro. Indústrias se retiraram do mercado esta semana à espera de aumento da oferta interna e competitividade nos preços. No centro do país, acirra-se a concorrência em detrimento da qualidade. Para competir, a indústria gaúcha se abastece com produto de boa qualidade e baixos preços do Uruguai e da Argentina.
A semana encerra com um cenário preocupante para o mercado de arroz em casca. O mercado praticamente não se moveu e muitas empresas que ainda permaneciam comprando o produto se retraíram e devem direcionar seus negócios para o arroz esbramado do Uruguai ou branco (beneficiado) da Argentina a partir desta semana, que são ofertados na fronteira a preços muito competitivos.
As cotações do produto em casca foram mantidas nesta semana, com média de R$ 31,20 e negócios até abaixo da faixa dos R$ 30,00 para saco de 50 quilos com 58% de inteiros. Todavia, o arroz esbramado do Uruguai está entrando no Rio Grande do Sul na faixa de R$ 26,20 (equivalência 50 quilos) posto na indústria.
A preferência da indústria gaúcha por este arroz tem duas justificativas básicas: em primeiro lugar, o preço, que permite às indústrias gaúchas competirem com as do Centro-Oeste que fazem um mix de variedades no Tipo 1 e têm maior competitividade nos fatores frete e impostos. O segundo motivo da atração pelo produto uruguaio é a qualidade, já que o grão apresenta um percentual de 59% a 62% de inteiros, e o ganho com as sobras de engenho.
Os compradores do centro do país seguem pressionando por redução nos preços do arroz Tipo 1 gaúcho, ainda baseados no argumento de alíquota zero do PIS/Cofins e também pela oferta de arroz beneficiado (fardo de 30 quilos) a partir de R$ 37,00 FOB. Os preços, inicialmente bancados por empresas do Centro-Oeste como estratégia para abertura de mercado, tornaram-se balizadores, pois com a entrada de produto uruguaio e argentino com preços abaixo dos R$ 27,00/50Kg, a indústria gaúcha passou a concorrer nesta faixa.
O problema é que a compra dos excedentes do Mercosul gera um impacto negativo interno e pode refletir em um alto estoque de passagem brasileiro na safra 2004/2005 e achatar ainda mais os preços no próximo ano.
O diretor responsável pela compra e venda de arroz de uma importante indústria gaúcha informa que para competir com os valores praticados hoje em São Paulo e Rio de Janeiro no arroz beneficiado, seria necessário pagar R$ 27,00 pelo saco de 50 quilos em casca no Rio Grande do Sul. Os arrozeiros gaúchos, todavia, estão mantendo o preço mínimo de R$ 30,00 e não aceitam vender abaixo disso pelo produto de melhor qualidade (58% de inteiros acima).
Ainda no beneficiado, há notícias de negócios de sacos de 60 quilos a R$ 60,00 FOB (livres). Posto em São Paulo, o produto chega ao preço final de R$ 76,50. No Mato Grosso, os preços do casca se mantiveram em R$ 31,00 e R$ 32,00 para o Primavera, R$ 27,00 a R$ 28,00 para o Cirad 141 nos principais centros de comercialização. O arroz beneficiado em sacos de 60 quilos foi comercializado na faixa de R$ 72,00 a R$ 74,00.


