Brasil fecha exportação de parboilizado
Governador Germano Rigotto anunciará neste sábado, na Expointer, a exportação de 6,2 mil toneladas de arroz parboilizado. Arroz em casca segue em compasso de espera e precisa de incentivo governamental. Gaúchos pedem incentivos para exportar 500 mil toneladas de arroz ainda este ano.
O Brasil fechou dois contratos de exportação de arroz parboilizado nesta quinta-feira, garantindo o escoamento de 6,2 mil toneladas para o Chile e Trinidad Tobago. Duas trades fecharam as cargas. O produto será negociado a 200 dólares CIF indústria, base casca.
O governador Germano Rigotto anunciará oficialmente a retomada das exportações de arroz pelo Estado na manhã deste sábado, durante o arroz-de-carreteiro gigante que o Irga irá servir para mais de 10 mil pessoas, em alusão ao Ano Internacional do Arroz.
O primeiro embarque será feito já na próxima semana e o segundo dentro de 15 dias. O produto será comercializado por cooperativas e indústrias, mas por iniciativa dos produtores.
O presidente da Federarroz, Valter Pötter, comemorou a viabilização histórica da primeira exportação de arroz do Rio Grande do Sul em mais de 27 anos. Trata-se, segundo ele, de uma oportunidade do Brasil, e do próprio Mercosul, abrir caminho no sentido de buscar mercado internacional já que alcançou a auto-suficiência.
A notícia é boa e poderá refletir bem no mercado, que apresentou queda de preços nesta semana. Novos contratos estão sendo negociados, apesar da entrada da nova safra norte-americana no circuito internacional. Os norte-americanos têm subsídios diretos para exportação e dominam o mercado regional (Caribe, América Latina) e da África.
CASCA
Com os preços internacionais que estão sendo praticados e a oferta norte-americana, são remotas as chances do Brasil conseguir exportar as 25 mil toneladas de arroz em casca que foram disponibilizadas para trades e outros países. Preço, é o diferencial. Hoje, para exportar arroz com 55% de inteiros, o Brasil teria que competir com arroz subsidiado no mercado internacional e vender seu produto na faixa de R$ 24,00 a R$ 25,00 na equivalência 50 quilos.
Os compradores internacionais ainda cobram garantia de volumes de exportação (que o Brasil ainda não têm) e preferem adquirir produto de países com tradição no mercado, cuja qualidade do arroz já seja reconhecida, como é o caso dos Estados Unidos e Uruguai no Ocidente. O Brasil também enfrenta barreiras tarifárias na Ásia, na Europa e mesmo na América Latina e Caribe. Muitos países têm acordo de livre comércio com os Estados Unidos e mantêm sobretaxas aos produtos do Mercosul.
MERCOSUL
A Argentina e principalmente o Uruguai teriam melhores condições de competir no mercado internacional para a exportação de arroz em casca, não fossem as suas barreiras internas. Nestes países, a exportação do produto in natura é sobretaxada, para obrigar ao beneficiamento dentro do país para agregar valor à produção e gerar empregos. Assim, o Uruguai consegue colocar arroz esbramado no Brasil na faixa de R$ 24,00 a R$ 25,00 (equivalência saco de 50 quilos) mas não consegue exportar este produto para terceiros mercados em nível de competitividade internacional.
Para resolver o problema, a cadeia produtiva do arroz está pedindo ao Governo Federal incentivos indiretos para escoar 500 mil toneladas, enxugar o mercado e garantir um espaço cativo no mercado internacional. O Brasil, com este apoio oficial, nos moldes do que é prestado para outras culturas, poderá também se tornar um importante exportador de arroz. Assim como é com a soja, o milho, o trigo entre outros produtos, explicou Amilton Soares, dirigente da Farsul.
Na tarde desta sexta-feira, o presidente da Federarroz Valter Pötter e o presidente da Federação das Cooperativas Arrozeiras do Rio Grande do Sul, André Barreto, estiveram reunidos com o ministro Roberto Rodrigues, onde renovaram o pedido, com apoio de outros segmentos. A iniciativa foi apontada como uma das únicas soluções para os excedentes do Mercosul pelo consultor André Pessoa. No VI Congresso Brasileiro de Economia Orizícola, encerrado nesta sexta-feira em Porto Alegre, esta posição é unânime.


