Setor orizícola cria câmara setorial do Mercosul

Os líderes arrozeiros também acertaram a formação de um fundo de exportação, que prevê, até fevereiro de 2005, a comercialização para fora do bloco de no mínimo 850 mil toneladas do grão.

Dirigentes de instituições arrozeiras participantes do 1º Congresso da Cadeia Orizícola do Mercosul decidiram criar nesta quinta-feira 9 a Câmara Setorial do Arroz do Mercosul, integrada por Argentina, Uruguai e Brasil. O estatuto deve estar concluído em 15 dias. O Brasil será representado pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Federação das Associações de Arrozeiros no Rio Grande do Sul (Federarroz), Federação das Cooperativas de Arroz no Estado (Fearroz) e Federação da Agricultura (Farsul).

As sugestões de normas serão destinadas ao site do Irga (www.irga.rs.gov.br ) para serem organizadas pelo presidente da autarquia, Pery Sperotto Coelho. “Os arrozeiros demonstraram que o Mercosul não é apenas zona de livre comércio, mas algo mais amplo, proporcionando a substituição da concorrência competitiva interna por um processo de integração para defender os mercados dos países integrantes do bloco”, avaliou o secretário da Agricultura e Abastecimento, Odacir Klein, participante do seminário que se realiza na cidade de Paraná, capital da província argentina de Entre Ríos.

Os líderes arrozeiros também acertaram a formação de um fundo de exportação, que prevê, até fevereiro de 2005, a comercialização para fora do bloco de no mínimo 850 mil toneladas do grão, dos quais o Uruguai entregará 600 mil toneladas (300 mil já vendidas), a Argentina, 150 mil, e o Brasil, 100 mil. Com isso, o estoque de passagem da safra brasileira se reduzirá de 1,7 milhão de toneladas para 1,15 milhão de toneladas.

Os dirigentes reforçaram ainda a necessidade de elevar a Tarifa Externa Comum (TEC) para 35%, como forma de proteger a orizicultura no Mercosul. Também ficou acertado que o secretário Klein coordenará o encaminhamento de estudo sobre subsídios norte-americanos para apresentar o painel do arroz na Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governador de Entre Rios, Jorge Busti, afirmou que “devemos nos proteger para que os subsídios norte-americanos não prejudiquem a economia dos países do Mercosul”.

O presidente do Irga, Pery Coelho, sugeriu além do aumento da TEC, incentivar o consumo de arroz no mercado comum, inclusão do cereal em comercializações com outros blocos econômicos e apoiar uma negociação conjunta na OMC para tornar viável uma redução de barreiras e subsídios.

O diretor de Mercado da Federarroz, Marco Aurélio Tavares, projeta que o Mercosul terá para vender para fora do bloco 930,3 mil toneladas em 2004 e 1,75 milhão de toneladas em 2005. Ele aponta como novos cenários o incremento de produção do bloco, auto-suficiência do Brasil no grão, geração de excedentes no Mercosul e mercado internacional aquecido. Tavares, que também é colunista da Revista Planeta Arroz, define como novos desafios a equalização de custos, fomento à vocação exportadora do bloco e gestão de oferta para manter rentabilidade.

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