Manejo e qualidade da água abre evento em Tapes (RS)
Números mostram que o volume de água utilizado na irrigação das lavouras de arroz no estado pode ser reduzido, diz pesquisadora do Irga.
O presidente do Sindicato Rural de Tapes, Luiz Carlos Chemale, inaugurou hoje a programação da 1ª Abertura Oficial do Plantio do Arroz, evento que se realiza até domingo naquele município, na zona sul do Rio Grande do Sul. Além de simbolizar a inauguração nacional da safra 2004/2005, com o plantio de seis hectares, o evento contará com palestras, debates e dinâmicas de campo. O objetivo é de articular a cadeia produtiva para a elaboração de mecanismos que garantam boas condições de comercialização do cereal. O evento é uma promoção da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federrarroz ) e do Sindicato Rural de Tapes.
No primeiro painel, Manejo e Qualidade da Água na Lavoura de Arroz Irrigado, a pesquisadora da estação experimental do Irga em Cachoeirinha, Vera Macedo, defendeu a melhoria da eficiência do uso da água na lavoura. Segundo ela, nas décadas de 70 e 80, eram necessários 1.000 litros (15.000 m³) de água para produzir 1 Kg de arroz. Nessa época, a produtividade no estado era de 4.000Kg/ha. Hoje, a produtividade já atinge patamares de 6.200Kg/Ha, com a utilização de 8.000m³ de água.
“Esses números mostram que o volume de água utilizado na irrigação das lavouras de arroz no estado pode ser reduzido”, afirmou a pesquisadora, que há cinco anos realiza um estudo sobre o assunto. “Existem cultivares com potencial produtivo de 8 a 10 t/ha, por isso é importante investir em tecnologia e buscar melhor a eficiência do uso da água”, enfatizou.
O pesquisador do Irga, Valmir Menezes, destacou a importância de se estabelecer uma nova relação entre pesquisadores, extensionistas e agricultores. “Não podemos mais trabalhar de forma estanque, devemos criar um novo fluxo de transferência de tecnologia, no qual o agricultor tem papel fundamental”, sustentou. Segundo ele, o nível de confiabilidade de uma nova tecnologia é maior quando o próprio produtor mostra para os outros agricultores os resultados adquiridos na sua propriedade.
Quanto à produtividade da lavoura, Menezes traçou um panorama entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, desde 1995, quando os dois estados produziam em torno de 5t/ha, até os dias de hoje, com SC liderando os índices com até 7t/ha e o RS no patamar das 6t/ha. Segundo o diagnóstico do pesquisador, isso se deve ao fato de SC possuir melhores condições climáticas, não dependendo tanto das chuvas e nem sofrendo golpes de frio como no RS, e também por utilizar cultivares de ciclo mais longo, garantindo à lavoura mais estabilidade.
Menezes sugeriu aos produtores gaúchos o preparo antecipado do solo, antes da primavera, e a adoção de cultivares com ciclo mais longo e com tolerância ao frio. “O nosso grande desafio é produzir mais, com menos impacto ambiental”, concluiu.
O pesquisador da Embrapa, José Alberto Petrini, falou sobre o manejo da água no sistema de cultivo de arroz pré-germinado. Ele identificou alguns problemas enfrentados pelos produtores gaúchos como a desestruturação do solo, provocada pelo preparo na água,e a perda de nutrientes e a infestação de plantas daninhas, motivadas pela drenagem após a semeadura. Na avaliação do pesquisador, o método atual “gera mais custo de produção e exige mais mão-de-obra”.
Segundo Petrini, há uma “tendência mundial” de preparo do solo no seco, uso de lâmina de água permanente, redução do uso de água na produção de arroz e preservação do meio ambiente.
A abertura oficial do plantio será realizada neste sábado 25, às 11h30min, com a presença de autoridades, produtores e demais segmentos da cadeia do arroz. O evento tem o patrocínio da Massey Ferguson e conta com o apoio do Governo do RS, Emater/RS, Irga, Prefeitura Municipal de Tapes, Farsul e Senar.


