Produtores gaúchos de arroz preparam manifestação
Governador Germano Rigotto receberá nesta quinta-feira uma lista de pedidos. A proposta dos produtores é fazer nas próximas semanas um super carreteiro para oferecer mais de 10 mil refeições gratuitas em frente ao Palácio Piratini.
A cadeia produtiva do arroz está se preparando para uma manifestação pública em reação aos baixos preços praticados na comercialização do cereal. A queda nos preços é atribuída principalmente ao arroz que está sendo importado da Argentina e do Uruguai. O arroz produzido nos países vizinhos está sendo ofertado a preços mais baixos, forçando a comercialização do produto brasileiro a valores inferiores ao custo de produção (R$ 29,90 segundo dados do Irga). O presidente da Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Valter José Pötter, anunciou as articulações de uma manifestação pública em protesto à falta de mecanismo de sustentação dos preços.
A proposta dos produtores é fazer nas próximas semanas, ainda sem data definida, um super carreteiro para oferecer mais de 10 mil refeições gratuitas em frente ao Palácio Piratini, no centro de Porto Alegre. “Gostaríamos de levar este panelão para Brasília e fazer lá, na frente dos ministérios, o super carreteiro ou eté protestar fechando as fronteiras do Brasil”, comentou Põtter.
O presidente da Federarroz observa que as medidas mais radicais estão inviabilizadas em função dos produtores de arroz estarem envolvidos no preparo da safra 2004/2005. Amanhã, a partir das 16h30min, entidades que representam os produtores irão se reunir com o governador Germano Rigotto para pedir que ele ajude na sensibilização do Governo Federal para colocar em prática ações de sustentação de preços do arroz.
NOVA SAFRA
O presidete da Federarroz confirmou ontem em Cachoeira do Sul (RS), durante a reunião da Câmara Cachoeirense de Agronegócios, que a área cultivada com arroz na safra 2004/2005 deverá ser menor que a safra passada. A menor área plantada é conseqüência da falta de água em algumas regiões do estado, principalmente da Fronteira Oeste, e em razão da insegurança quanto aos preços.
– É uma questão de estímulo. Os produtores estão enxergando prejuízo na lavoura de arroz. Sem garantia de preços, os arrozeiros deverão cultivar apenas as áreas mais nobres, que garantem maior produtividade, observa.
REIVINDICAÇÕES
A lista de reivindicações ao Governo Federal tem como principais ações a implementação imediata do mecanismo de comercialização denominado contrato de opção para pelo menos 500 mil toneladas de arroz. O contrato de opção é a venda antecipada do arroz para o Governo Federal, podendo o produtor desistir do negócio se tiver oferta melhor quando o mercado estiver em equilíbrio entre oferta e procura. A inclusão do arroz nos programas sociais governamentais (Fome Zero) e a suspensão imediata das importações da Argentina e Uruguai são outros dos principais pedidos.


