Produtores de arroz fecham fronteiras com Uruguai e Argentina
Arrozeiros gaúchos protestam contra importação do grão apesar da auto-suficiência da cultura no Brasil.
Caminhões, sacas, veículos e pneus foram usados por arrozeiros gaúchos para impedir a entrada de cargas de arroz ontem em cidades de fronteira com o Uruguai e a Argentina.
O protesto foi dirigido ao Governo Federal, que permite a importação do grão. Apesar de ser auto-suficiente, o Brasil é o terceiro comprador mundial de arroz. O estado produz metade das 12,7 milhões de toneladas de arroz do país.
Nesta safra, pelo menos 500 mil toneladas já teriam entrado vindas da Argentina e do Uruguai. Nestes países, o plantio é subsidiado e a importação de insumos permitida, reduzindo o custo de produção.
– A concorrência é desleal. Para nós, cada saca de 50 quilos custa R$ 30,00. No mercado, está cotada, no máximo, em R$ 26,00 – observa o presidente da Associação de Arrozeiros de Jaguarão, Jair Feijó.
O piquete no município reuniu produtores de 18 cidades. O fluxo de cargas no Porto Seco foi impedido por cerca de 200 arrozeiros. Por lá circulam diariamente 80 caminhões, trazendo a maior parte do arroz uruguaio vendido no Brasil. De março a outubro, foram 147 mil toneladas, segundo o gerente do Porto Seco, Flávio Renato Ança.
Uma das maiores manifestações foi na ponte internacional São Borja-Santo Tomé (Argentina), fechada com sacas de arroz, pneus e veículos. O trânsito foi interrompido por duas horas pela manhã. À tarde, liberado em meia pista. Várias lojas ficaram fechadas por duas horas.
Em Itaqui, produtores bloquearam a entrada de arroz argentino no cais do porto e distribuíram sacos do grão para a população. O ingresso de caminhões com arroz uruguaio foi ainda bloqueado em Aceguá, onde 80 produtores montaram acampamento às margens da BR-153, que liga o município a Bagé.
Segundo o vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz), Juarez Petry de Souza, a instalação da Câmara Setorial do Arroz, ontem, em Brasília, fortalece o segmento.
– É preciso uma reformulação do Mercosul. Se o arroz entra no país com alíquota zero, achamos que os insumos deveriam ter os mesmos parâmetros – argumenta.


