Agricultores buscam mais produtividade no Vale do Rio Pardo (RS)
Apesar do clima tenso no setor, produtores seguem orientações para as lavouras renderem mais. Em Rio Pardo, Pantano Grande, Passo do Sobrado e Encruzilhada do Sul, plantio está adiantado.
Apesar do clima tenso entre os produtores de arroz e o governo federal, que permite a importação do grão de países do Mercosul, o plantio vai de vento em popa no Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Na área de abrangência do 5º Núcleo de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nate) do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga), 23% dos 17.150 hectares que devem ser cultivados já foram semeados. Além disso, os agricultores esperam obter produtividade superior em relação à do ano passado.
O 5º Nate abrange os municípios de Rio Pardo, Pantano Grande, Passo do Sobrado e Encruzilhada do Sul. Como o sistema pré-germinado predomina, a semeadura não foi atrapalhada pelas chuvas, o que acontece nos sistemas convencional e semidireto. Na região, o Irga vem incentivando a adoção de algumas técnicas para aumentar a produtividade, como colocação de 40 a 60 sementes por metro linear, adubação de base pesada, controle de inços no início do desenvolvimento das lavouras e primeira adubação de cobertura entre 18 e 20 dias de germinado.
O engenheiro agrônomo José Fernando Rech de Andrade explica que 75% da produção de uma lavoura se deve ao volume de manejos nos primeiros 50 dias do cultivo. Segundo ele, além dessas recomendações, serão feitas experiências como a utilização de dosagens diferenciadas de adubo em cinco propriedades da zona de abrangência do 5º Nate. Vamos acompanhar essas áreas até a colheita. Posteriormente, a idéia é convidar os outros produtores para dias de campo nesses locais.
A iniciativa é uma contribuição do Irga a um programa da FAO, órgão das Nações Unidas voltado à agricultura, para reduzir a fome no mundo. O produtor Gilberto Rabuski, da localidade de Volta Grande, em Rio Pardo, aderiu às técnicas já na última safra. Por cinco anos, havia obtido uma produtividade de 5.000 a 5.200 quilos por hectare. Em 2004, ela subiu para 6.700.
Rabuski e os filhos Eduardo e Alexandre, que também trabalham na propriedade, já semearam 70% dos 156 hectares. Apesar de buscar uma alta produtividade, reconhecem que o mercado está péssimo. O custo de produção da saca é de R$ 30,00, enquanto o preço pago é de R$ 25,00, afirma o pai. Ele também lembra que a carga tributária é alta, o que torna a concorrência com o arroz importado dos países do Mercosul desleal.
Na terça-feira, produtores das regiões de fronteira com Uruguai e Argentina bloquearam estradas para impedir a entrada de cargas de arroz desses países. No mesmo dia, foi instalada, em Brasília, a Câmara Setorial do Arroz, órgão deliberativo que representa a cadeia produtiva perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.


