Comissão de Agricultura coordenará levante do setor produtivo gaúcho

Objetivo é chamar atenção para a crise econômica que assola a agropecuária, agravada pelo aumento dos custos de produção e queda dos preços dos produtos agrícolas .

A Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul coordenará uma grande mobilização estadual junto aos setores produtivos do arroz, carne, trigo, soja, insumos e máquinas agrícolas. A idéia é fomentar um levante dos segmentos com o objetivo de chamar a atenção dos órgãos executivos para a crise por que passa a agropecuária gaúcha, agravada pelo aumento desenfreado dos custos de produção, queda dos preços dos produtos agrícolas e pela concorrência desleal interna e externa.

A estratégia de reação culminará com a realização de um fórum de debates com os representantes de todas as cadeias envolvidas, marcado para o dia 6 de dezembro, na Assembléia Legislativa. O evento já conta com o apoio de entidades como Farsul e Fetag.

A decisão foi tomada nesta quinta-feira 28, durante reunião do órgão técnico legislativo, que contou com a presença do Grupo de Trabalho Autônomo de Produtores Rurais da Metade Sul, formado por pecuaristas e arrozeiros. Além de apresentar um diagnóstico completo dos problemas econômicos e comerciais enfrentados pela categoria, os empresários divulgaram o Manifesto de Pelotas, documento que reúne 14 propostas para o agronegócio da região, com ênfase para as cadeias do arroz e da carne.

De acordo com o presidente da Comissão de Agricultura, deputado Jerônimo Goergen (PP), o movimento iniciado em Pelotas vem encontrando eco em todo o Estado. “Não há nenhuma política pública de proteção ao produtor que garanta um preço mínimo adequado, capaz de suportar o aumento dos insumos. Por outro lado, o Estado vem acumulando um saldo negativo nas relações comerciais com outros estados e países”, argumenta.

O parlamentar cita o exemplo do Uruguai para identificar as distorções. O país exporta 70% de sua produção de arroz via Rio Grande do Sul sem que haja nenhuma espécie de tributação. “Ademais, o custo do hectare da lavoura orizícola uruguaia está em torno de US$ 956,10 contra US$ 1.107,66 da gaúcha”, exemplifica.

Jerônimo destaca que a diferença dos valores está embutida nos insumos. “Um trator produzido no Rio Grande do Sul chega no Uruguai custando R$ 171 mil. Para o arrozeiro gaúcho, este mesmo produto é vendido por 226,5 mil. Que espécie de mercado econômico é esse?”, questiona.

Quando o fluxo se inverte, acrescenta Jerônimo, o tratamento fica desigual. “Nosso gado em pé não pode passar para o lado uruguaio, mesma situação verificada em relação a Santa Catarina. Quanto à carne do Centro-Oeste, está ocorrendo a triangulação do produto via São Paulo, mecanismo que também colabora para a nossa derrocada econômica. Estamos vivendo numa ilha onde tudo entra e nada sai”, destaca.

No início da tarde desta quinta-feira, Jerônimo e o Grupo de Trabalho Autônomo de Produtores Rurais da Metade Sul foram recebidos no Palácio Piratini. Eles entregaram ao secretário adjunto da Casa Civil, Pedro Bisch Neto, uma pauta de reivindicações com quatro pontos que consideram de natureza emergencial: reabertura de linha de crédito para retenção de matrizes e terneiros; rediscussão dos termos do Circuito Pecuário Sul; bloqueio à entrada da carne do Centro-Oeste via São Paulo; e o agendamento de uma missão diplomática ao Uruguai para negociar a entrada de gado em pé gaúcho no país vizinho.

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