Contrato de opção para 500 mil/ton pode sair esta semana

O acordo dos gaúchos prevê a liberação do mecanismo para 500 mil toneladas de arroz. O preço pode ser balizado em R$ 27,50.

Todas as atenções da cadeia produtiva brasileira de arroz estão voltadas para uma série de encontros que acontecerão na quarta-feira 3 e na quinta-feira 4/10 em Brasília. A cadeia produtiva do Rio Grande do Sul fechou questão e apresentará uma proposta para imediata disponibilização de um inédito mecanismo de sustentação de preços e comercialização de arroz: o contrato privado de opções.

A proposta será levada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na tarde de quarta-feira, onde os dirigentes da Federarroz, da Farsul, do Irga e das entidades representativas da indústria brasileira de arroz estarão reunidos com um grupo técnico e dirigentes do Governo.

Na quinta-feira, finalmente a proposta será apresentada na primeira reunião de trabalho da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz, no prédio do MAPA. Se aprovado, o mecanismo ainda passará pelo Ministério da Fazenda, antes de ser implementado formalmente. “Estamos trabalhando com a expectativa de que os primeiros leilões de opções saiam ainda em novembro”, garantiu o presidente da Federarroz, Valter José Pötter.

Pela proposta negociada pela cadeia produtiva do Rio Grande do Sul, ficou definido que o teto dos contratos de opções será o valor de mercado monitorado pela Conab, que também participou da elaboração da proposta, em Porto Alegre. O prêmio máximo a ser pago pelo Governo deve ficar em R$ 2,50 para o saco de 50 quilos de arroz padrão 50×18 (posto na indústria).

A expectativa do setor é de que a partir da entrada em vigor desta proposta, o mercado passe a operar com um balizador de R$ 27,50 para o saco de 50 quilos com 58% de inteiros. A proposta dos arrozeiros é encurtar ao máximo os prazos do processo para que entre logo em vigor e tenha o impacto de estabilizar as cotações, ora em declínio.

Apesar deste valor ficar significativamente abaixo do custo de produção de R$ 29,99 sinalizado pelo Irga, há o entendimento da cadeia produtiva gaúcha de que os R$ 27,50 estão dentro da realidade e não chegam a representar uma perda. “Ocorre que tivemos uma safra de grande produtividade, onde parte do custo de produção foi diluída”, revela Pötter.

O setor está bastante otimista, com a expectativa de que o edital de leilão seja publicado num prazo não superior a 10 dias após a apresentação da proposta. O valor máximo que o Governo Federal poderá desembolsar para viabilizar este mecanismo de sustentação de preços é de R$ 25 milhões, considerado irrisório diante dos volumes de recursos carreados para ações similares pela União.

Para o presidente do Irga, Pery Sperotto Coelho, com esta medida mais uma vez a cadeia produtiva gaúcha demonstra efetivamente o seu dinamismo e amadurecimento na busca de soluções para os problemas da orizicultura brasileira. “Embora tenha sido uma longa discussão, houve um consenso no estabelecimento de prazos, volumes e valores nas tratativas entre a indústria e os produtores, fortalecendo as relações da cadeia produtiva gaúcha”, comemorou Pötter, da Federarroz.

Apesar da proposta ter sido elaborada em consenso, os produtores seguem com grande expectativa. “A palavra final ainda é do Governo. E isso não é uma garantia de execução”, revela Pötter.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter