Gaúchos organizam cadeia para exportar em 2005

Uma das soluções para a crise que achatou preços no mercado interno do arroz é exportar.

A cadeia produtiva do arroz do Rio Grande do Sul está organizando a sua logística para ingressar definitivamente no mercado internacional do arroz como exportador em 2005. Há duas semanas o setor encontrou-se em Rosário do Sul para estabelecer algumas estratégias. Na próxima semana as tratativas devem evoluir em novo encontro entre setor de produção, cooperativas, indústria e empresas de logística.

A expectativa é que neste novo encontro seja delineado um plano de exportação de grandes volumes de arroz. “Há um consenso na cadeia produtiva de que é preciso exportar e estar bem organizado para ingressar no mercado internacional”, avalia o presidente da Federarroz, Valter José Pötter. A participação de cooperativas e indústrias é fundamental, segundo Pötter, pois a grande demanda mundial é por arroz beneficiado.

Os arrozeiros gaúchos estiveram muito próximos de fechar um contrato de exportação de 25 mil toneladas em julho de 2004, mas a enorme burocracia e a necessidade de reconstruir um modelo de logística para o arroz, depois de 27 anos sem exportações significativas no estado, inviabilizou o processo. Em agosto, a nova safra de arroz fortemente subsidiado dos Estados Unidos entrou no mercado internacional, jogando os preços para baixo e inviabilizando boa parte das exportações potenciais do Mercosul, principalmente do Brasil.

A experiência serviu de lição. Desta vez a cadeia produtiva gaúcha começa a se organizar antecipadamente e organizará as quantidades disponíveis por indústria e região, calculará custos e definirá patamares de comercialização por tipo de arroz. Também irá programar a industrialização dos volumes de acordo com a demanda. “As indústrias vão levantar o que poderão disponibilizar para a venda externa sem comprometimento do mercado interno e os valores compatíveis do arroz posto em Rio Grande”, explicou Pötter.

O tema deverá entrar em debate no próximo encontro da Câmara Setorial do Arroz, em Brasília, pois provavelmente o Governo brasileiro terá que interferir reduzindo as burocracias e custos aduaneiros internos para que o produto nacional possa competir com os incentivos de outros países exportadores. O foco principal do Brasil é a América do Sul, o Caribe e a África.

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