Nem feriadão freou a queda das cotações

Em semana bastante difícil, mercado manteve-se sem nenhum negócio volumoso e tanto o arroz em casca quanto o beneficiado apresentaram queda significativa de preços.

Quando se acreditava que o feriadão de Proclamação da República encurtaria a semana o suficiente para segurar a queda das cotações do arroz, como aconteceu na semana de Finados, houve uma reviravolta e os preços do arroz em casca e beneficiado despencaram mais uma vez no mercado brasileiro na semana nestes últimos quatro dias.

Os preços caíram em todas as principais regiões de comercialização. A pressão é gerada pelo excesso de arroz armazenado na mão dos produtores (só no Rio Grande do Sul se estima que 30% da produção – 2 milhões de toneladas – ainda não tenham sido comercializadas) e pelo constante ingresso de produto do Mercosul.

Apesar das cotações em baixa, na faixa de R$ 25,00 a R$ 25,50 o saco de 50 quilos para arroz com 58% de inteiros no Rio Grande do Sul, não são efetivados negócios. O gerente comercial de uma importante cooperativa orizícola gaúcha informou à Revista Planeta Arroz que existem poucas consultas e que negócios não chegam a ser efetivados porque o produtor não aceita vender arroz de melhor qualidade (acima de 58% de inteiros) pelos preços praticados pelo mercado

– Apesar do mercado indicar estes valores, os produtores não vendem nestes patamares e continuam segurando o produto e procurando outros meios de acesso aos recursos para formar a lavoura, frisou.

Outro fator que segura a oferta, mesmo com a queda preocupante das cotações do arroz, é o fato de quase a totalidade do arroz em casca estar na mão de produtores capitalizados. A expectativa pela liberação dos contratos de opção privados e o refinanciamento da última parcela de custeio por meio de CPR também são fatores que favorecem a este comportamento.

Notícias de negócios de arroz em casca concretizados se resumem a produto de baixa qualidade (55% a 57% de inteiros na faixa de R$ 23,00 e R$ 24,00). “O problema é que estas notícias de venda de arroz fraco por preços baixos também começam a interferir no mercado. O produtor ouve dizer que alguém vendeu a R$ 23,00 ou R$ 24,00 e pode pensar que o preço vai cair mais e sair para ofertar. Daí, cai mesmo”, explica o diretor de Mercados da Federarroz, Marco Aurélio Marques Tavares.

Segundo ele, é importante que os produtores se informem sobre que tipo de arroz está sendo negociado por valores muito baixos. A indústria segue fora do mercado em quase todo o país.

No Mato Grosso, o perfil do mercado não muda muito em relação ao Rio Grande do Sul. A saca de 60 quilos de arroz Primavera gira de R$ 27,00 a R$ 28,00 em Sinop e Sorriso. A saca de 60 quilos do Cirad fica entre R$ 24,00 e R$ 24,50. O Sul Catarinense (região de Criciúma e Araranguá) também apresenta cotações nos patamares gaúchos, com R$ 25,50 de média para o saco de 50 quilos com 58% de inteiros. O arroz esbramado uruguaio (sem casca) na fronteira gaúcha segue sendo ofertado por R$ 280/283 dólares a tonelada.

BENEFICIADO

Em São Paulo, o mercado beneficiado apresentou uma retração significativa esta semana, entre R$ 0,50 e R$ 1,00 o fardo de 30 quilos. O fardo de 30 quilos de arroz vale entre R$ 33,00 e R$ 40,00, dependendo da procedência.

Algumas indústrias gaúchas das regiões da Fronteira e Campanha, estocadas com produto uruguaio de boa qualidade e baixo preço, já ofertam o fardo a R$ 36,50 (preço final). A saca de 60 quilos de arroz Cirad vale R$ 56,00. A de arroz gaúcho e primavera é cotado entre R$ 65,00 e R$ 66,00 a saca de 60 quilos.

O mercado de Minas Gerais, na região de Ubá, registra arroz gaúcho beneficiado (60 quilos) a R$ 67,50 e R$ 68,00, preço final. O arroz beneficiado da Argentina e do Uruguai, em sacos de 60 quilos, chegam a São Paulo na faixa de R$ 62,00 a R$ 63,00, mesma cotação de produto tailandês, todos com melhor qualidade que o Cirad.

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