Arrozeiros bloqueiam estradas em protesto às importações de arroz

Manifestantes receberam o apoio de produtores de Livramento,
que viajaram a municípios vizinhos para participar dos bloqueios.

Foram encerradas na sexta-feira 26 as ações de bloqueio e vistoria a cargas de arroz uruguaio realizadas nas fronteiras de Quaraí, Itaqui, Jaguarão e Aceguá, na fronteira do Rio Grande do Sul. Os protestos foram promovidos pela Federarroz e, segundo o presidente da entidade, Walter Potter, serviram para alertar a população e para fazer uma denúncia pública do descuido que, segundo ele, vem acontecendo no controle da entrada de arroz importado.

O dirigente afirma que, pelas facilidades decorrentes dos acordos do Mercosul, as cargas de grãos passam pelas fronteiras fraudando ou até mesmo dispensando nota fiscal. Potter acrescenta que, além disso, os subsídios e vantagens tributárias para o ingresso do grão beneficiado na Argentina e Uruguai acabam “derrubando” os orizicultores brasileiros.

“O produtor não consegue mais enfrentar a concorrência do produto subsidiado nos países de origem. Nosso arroz deve ser vendido a R$ 22 a saca, que custa R$ 30”, protestou Roberto Zago, presidente da Associação dos Agricultores da região de Bagé.

Idéia semelhante tem o vereador e agropecuarista de Quaraí, Sahire da Luz Neto (PP). “Nosso custo de produção não é subsidiado, tem taxas operacionais muito altas e os insumos são dolarizados, enquanto que no Uruguai há bons incentivos para produzir”, afirma ele.

Um outro motivo da mobilização da classe arrozeira seriam negociações ilegais realizadas pelos uruguaios. Segundo os manifestantes, o país vizinho estaria importando arroz da Ásia – onde o custo é baixíssimo em razão da produção ser praticamente escrava – para posteriormente revender ao Brasil. O procedimento é considerado proibido pelas leis internacionais de comércio. A colocação dos arrozeiros está embasada no fato de que, de acordo com a área plantada nesses dois países, estima-se que toda a produção já tenha entrado no país.

AÇÕES REALIZADAS

Apesar de cinco das nove balanças existentes ao longo da fronteira estarem desativadas, não foi difícil comprovar a veracidade da denúncia feita pela classe orizícola. Um caminhoneiro foi flagrado transportando 1,55 toneladas além do peso especificado na nota fiscal em uma carga de cevada que tinha como destino uma indústria de Bagé.

Na cidade de Itaqui, fronteira com a Argentina, as ações de vistoria foram desenvolvidas na saída das balsas, com 32 caminhões sendo paralisados pelos manifestantes. Em Quaraí, onde a manifestação recebeu o apoio de três produtores de Sant’Ana do Livramento, o bloqueio aconteceu na Ponte da Concórdia, com o fechamento simbólico realizado durante alguns minutos. Em Bagé, as mobilizações aconteceram no porto seco, onde ficaram retidos 10 caminhões durante 20 horas.

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