Arrozeiros pedem apoio de Rigotto

Protesto ontem, em Porto Alegre, reuniu orizicultores de 33 municípios. Comitiva levará pleitos a Brasília .

O rizicultor há 20 anos João Clever veio de Tapes (RS) para participar ontem, em Porto Alegre, do protesto contra importação de arroz do Mercosul, que está achatando o preço. Com nariz de palhaço e tarja preta no braço, representantes de 33 municípios enfrentaram calor e chuva, na Praça da Matriz, para pedir apoio aos pleitos que farão dia 21 ao governo federal. E conseguiram.

Após audiência com entidades, o governador Germano Rigotto subiu no carro de som, em frente ao Palácio, e prometeu comandar a comitiva gaúcha na audiência na Comissão Parlamentar Mista do Mercosul, em Brasília. Rigotto defende que o governo brasileiro adote cotas de importação para arroz, trigo e vinho, a exemplo do que o governo argentino vem fazendo. ‘Não podemos ter um lado só ditando regras. Temos que encontrar alternativas para o produtor continuar produzindo.’ Na mesma data, os produtores pretendem fazer mobilizações no RS.

O setor quer a suspensão das importações, defende correção de desigualdades tributárias e mecanismos de comercialização que sustentem preço. Querem ainda poder comprar insumos e máquinas agrícolas do exterior, sem burocracia. Estimativas de Farsul e Federarroz apontam que cerca de 1 milhão de toneladas de arroz do bloco entrou no Brasil desde janeiro.

O presidente da Federarroz, Valter José Pötter, reclama que, livre de impostos de importação, o produto do Mercosul chega mais barato às indústrias brasileiras e deprime o preço interno, já pressionado pelos altos custos. ‘Estamos caminhando para um buraco, pois o excedente ultrapassará 1 milhão de toneladas e teremos outra safra farta’, alerta Pötter. Hoje, a saca no Estado está sendo vendida a R$ 24,00 contra um custo de R$ 32,82. Apesar de as previsões apontarem auto-suficiência no país, não há sinal de paralisação do ingresso do produto.

O vice-presidente da Farsul, Francisco Schardong, lembrou que a fraca fiscalização nas aduanas colabora para a entrada desenfreada. O presidente da Comissão de Agricultura, deputado Jerônimo Goergen, sugeriu também apoio na comercialização de arroz para estoques federais ou programas sociais.

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