Arrozeiros protestam contra o Mercosul
Movimento realizado em Porto Alegre chama a atenção para diferença entre custos da produção e preço do grão.
Para os arrozeiros gaúchos, o Mercosul transformou-se num circo. E, no meio da arena, eles são os palhaços. Para simbolizar essa imagem, dezenas de produtores de diversas partes do Rio Grande do Sul desembarcaram ontem na Praça da Matriz, em Porto Alegre, e exibiram um nariz vermelho de plástico.
Nem o forte calor impediu que os líderes do movimento “Arroz é Vida” subissem em um caminhão, localizado entre os palácios Piratini e Farroupilha, e fizessem discursos inflamados contra os altos custos de produção do arroz gaúcho e a importação do grão da Argentina e do Uruguai com inúmeras vantagens para a indústria brasileira. Além do nariz, das tarjas pretas amarradas nos braços dos manifestantes e das faixas colocando o Mercosul como o inimigo número um da produção arrozeira gaúcha, os dirigentes explicaram as razões do movimento.
– Os excedentes no Mercosul e as mudanças na política comercial de exportação do Uruguai e da Argentina estão deprimindo e desregulando os preços no Brasil – bradou o presidente da Federação das Associações dos Arrozeiros do Estado (Federarroz), Valter Pötter.
Segundo o presidente da Comissão de Grãos da Federação da Agricultura (Farsul), Francisco Schardong, a saca de 50 quilos do arroz gaúcho está sendo negociada por uma média de R$ 28, enquanto o produto uruguaio e argentino chega aos centros consumidores brasileiros por R$ 25. Para o dirigente, o arroz do Mercosul é produzido com máquinas e insumos mais baratos e com menos impostos.
– As máquinas são adquiridas do outro lado com valor entre 15% e 40% menor do que o produto comprado no Brasil – explicou.
Para Pötter, o arroz importado do Mercosul não paga tributos de venda iguais ao do Rio Grande do Sul. Os concorrentes não pagam Funrural (2,3% no Brasil), PIS-Cofins e têm subsídios internos de devolução de impostos por parte dos países exportadores. Outra diferença refere-se aos insumos, como fertilizantes, cuja cotação chega a superar a 150%. Pötter reuniu-se com o governador Germano Rigotto, ao lado de outros líderes. A intenção foi convidá-lo a integrar a missão que irá a Brasília na terça-feira para audiência pública sobre o tema no Senado.
O QUE DIZIAM AS PRINCIPAIS FAIXAS
Defendendo a lavoura nacional contra os subsídios internacionais.
Mercosul, falência da agricultura gaúcha.
Mercosul importando alimentos, semeando desemprego, empobrecimento e miséria.
Trem fantasma liga Mercosul ao centro do país.
Para a FAO, o arroz é vida. Para o Mercosul, é a nossa ruína.
Estamos produzindo, enquanto o Uruguai e a Argentina estão vendendo.
Fim da pirataria oportunista no Mercosul.
Na hora de vender, o Uruguai devolve impostos. Nós pagamos mais.
Brasil, auto-suficiente na produção, mas governo importa.


