Arrozeiros preparam o Caldeirão do Mercosul
Carreteiro gigante será servido aos participantes do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, como forma de protesto às importaçõres.
Os arrozeiros gaúchos estão preparando um protesto contra os prejuízos que a cadeia produtiva vem sofrendo com o grande volume de importação de arroz do Uruguai e da Argentina. Os produtores irão servir carreteiro e suco de uva de graça para mais de 20 mil pessoas em frente à Prefeitura de Porto Alegre.
O prato típico da culinária gaúcha será feito em uma panela de cinco metros de diâmetro, denominada Caldeirão do Mercosul, onde serão cozidos 2,5 mil quilos de arroz com charque. O protesto será nesta quinta-feira, ao meio-dia. Os produtores querem aproveitar que a capital está sediando o Fórum Social Mundial e revelar a crise ao mundo.
Produtores de várias cidades gaúchas participarão do protesto, que está sendo organizado pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e Farsul. Daremos arroz de graça porque estamos trabalhando de graça. O preço do arroz baixou 40% para os produtores e 17% para os consumidores. Porém, esta diferença de ganho está detida no varejo, explica o presidente da Federarroz, Valter José Potter.
Ele afirma que os produtores não querem aumento de preço para o consumidor, mas sim defender a produção nacional e mostrar sua importância. Se a produção nacional for liquidada, o preço ficará na mão dos importantes e subirá o quanto eles quiserem, frisa Potter.
O vice-presidente da Federarroz, Gilmar Freitag, salienta que no ano passado 100 mil toneladas de arroz do Mercosul entraram no Brasil, quantidade referente apenas ao excesso de peso dos caminhões. Não há fiscalização. As notas mostram 30 mil toneladas. No entanto, os caminhões transportam 40 mil toneladas. Há também a arroz que entra ilegalmente. O estranho é que a produção uruguaia e argentina fica em torno de 1,1 bilhão de toneladas e eles exportam para nós dois bilhões. Vem arroz dos Estados Unidos e Indonésia, por exemplo, lamenta Freitag.
AS DIFICULDADES
ESTRANGEIRO
As principais dificuldades enfrentadas pelos arrozeiros é competir com os custos financeiros menores, carga tributária inferior, máquinas e insumos mais baratos, câmbio favorável e infra-estrutura de transportes melhor e mais barata na Argentina e no Uruguai.
COMPARAÇÃO
Assim, o arroz importado é mais barato que o nacional. Enquanto o custo de produção de uma saca na Argentina e no Uruguai é de R$ 15,00, o nosso é R$ 30,00. Enquanto aqui pagamos de R$ 800,00 a R$ 900,00 pela uréia, lá eles pagam R$ 500,00, compara Gilmar Freitag.


