Presidente recebe produtores gaúchos
Ruralistas serviram carreteiro para mais de 20 mil pessoas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve reunido hoje à tarde com as principais lideranças do agronegócio gaúcho. O encontro ocorreu no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Os produtores levaram ao presidente a posição de insatisfação devido à crise em vários setores do campo, principalmente na orizicultura.
Os orizicultores pedem salvaguardas para a produção nacional do cereal. Eles pediram ao presidente medidas de apoio à comercialização como definição de cotas e compensações tributárias e financeiras. Lula se prontificou em criar um grupo de trabalho com as cadeias produtivas para juntos construírem alternativas para superar a crise.
Como forma de protesto, ao meio-dia, os produtores serviram um carreteiro para aproximadamente 20 mil pessoas em frente à Prefeitura de Porto Alegre. O protesto, denominado o Caldeirão do Mercosul, contou com a participação de representantes das cadeias produtivas do arroz, alho, cebola, carne, milho, trigo e vinho.
No supercarreteiro foram consumidos 1,3 mil quilos de arroz, mil quilos de charque, 200 quilos de cebola e 50 quilos de alho, além de tomates e tempero verde.
ARROZ DO MERCOSUL É 40% MAIS BARATO
Os arrozeiros estão preocupados com a situação comercial que enfrentam hoje em função da concorrência desleal entre os países do Mercosul. No Uruguai e na Argentina o arroz é 40% mais barato do que no Brasil. Conforme o presidente da Comissão do Arroz da Farsul, Francisco Schardong, na cadeia produtiva do arroz incidem 74 tributos, entre a produção e consumo, em função do custo Brasil. Schardong disse ainda que o Brasil é auto-suficiente em arroz e que nos próximos dois anos terá excedentes para exportação.
O presidente da Federarroz, Valter José Potter, explica que as principais dificuldades estão em competir com os custos financeiros menores, carga tributária inferior, máquinas e insumos mais baratos, câmbio favorável e infra-estrutura de transportes melhores e mais baratas na Argentina e no Uruguai.


