Arrozeiros aguardam ajuda na comercialização
À medida em que se aproxima o início da colheita do arroz no Rio Grande do Sul, aumenta a expectativa dos produtores, que esperam pela liberação de mecanismos de comercialização da safra.
À medida em que se aproxima o início da colheita do arroz no Rio Grande do Sul, aumenta a expectativa dos produtores, que esperam pela liberação de mecanismos de comercialização da safra. O apoio é necessário para escoar um excedente de produção estimado entre 1 milhão e 1,3 milhão de toneladas, segundo o presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Pery Coelho. Esperamos o lançamento de contratos de opção públicos para dar sustentabilidade ao mercado, declara.
A cadeia produtiva aguarda um anúncio positivo por parte do governo federal durante a 15ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, que será realizada em Dom Pedrito, entre os dias 24 e 27 deste mês. A perspectiva de entrar em uma nova safra com preços baixos assusta os produtores. Nas últimas semanas, os valores pagos pelo saco, em torno de R$ 24,00, estão abaixo do custo de produção, avaliado em R$ 32,00. O setor não pode correr o risco de perder renda e viver em um eterno recomeço, salienta Coelho, lembrando que no período entre 1999 e 2002, o cenário também era de preços achatados e de perda de rentabilidade.
Durante a abertura oficial da colheita, os agricultores também vão aproveitar para retomar a questão das importações de outros países do Mercosul. A cadeia produtiva gaúcha defende a fixação de cotas para limitar a entrada do cereal de fora, o que, segundo os representantes do setor, é sinônimo de concorrência desleal com a produção brasileira. Os organizadores do evento em Dom Pedrito ainda aguardam a resposta para o convite feito ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A programação da abertura oficial da colheita vai integrar a Estância Guatambu e o parque do Sindicato Rural do município, onde será realizada a programação teórica. O evento vai reunir exposição de produtos, palestras técnicas, apresentação de tecnologias e visitação às lavouras do Projeto 10. A expectativa é que mais de 10 mil pessoas, entre agricultores, estudantes e técnicos, passem pela cidade. Os debates sobre as questões de mercado, comercialização e política setorial também estão na programação.
Os assuntos são variados e incluem questões como o consumo do arroz e o marketing na cadeia produtiva, explica Valter Pötter, presidente da Federação das Associações dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). Ele também destaca a vitrine tecnológica, onde serão apresentados lançamentos de máquinas, sementes e insumos. No domingo, dia 27, será feita a colheita inaugural, com demonstrações práticas do processo produtivo.
Os efeitos da estiagem devem afetar o resultado final da safra deste ano. Por enquanto, não há dados concretos, mas a expectativa é que não se repitam os números do ano passado, quando a colheita foi recorde, observa Pötter. Apesar da deficiência hídrica, os agricultores contam com os benefícios do incremento tecnológico, comenta o dirigente. Esse maior uso de tecnologia pode compensar parte das perdas com a falta de chuva, acredita.
No período 2003/2004 os produtores gaúchos foram responsáveis por uma safra de 6,3 milhões de toneladas de arroz colhidas em 1,04 milhão de hectares. O rendimento médio chegou a 6,1 mil quilos por hectare.


