Em busca de maior produtividade do arroz

Investimento em qualidade de semente, em programas de manejo e inovações tecnológicas são um diferencial da lavoura gaúcha na busca de competitividade.

A histórica (e talvez eterna) rixa entre gaúchos e catarinenses agora tem um novo foco: o arroz. Os orizicultores do Rio Grande do Sul – maior produtor nacional do grão – querem superar os de Santa Catarina na produtividade do grão. Hoje, colhe-se em média nas lavouras catarinenses 6,6 toneladas por hectare para 6 toneladas por hectare em solo gaúcho. Mas a meta dos arrozeiros do Rio Grande do Sul é chegar a 10 toneladas por hectare. Para isso, o setor está se organizando e criando um associação de produtores de sementes. Os gaúchos acreditam que investindo na qualidade da semente, alcancem índices melhores.

Apesar de estimarem um crescimento superior a 60% nos próximos anos, a produtividade tida como meta já é alcançada em algumas localidades do estado. Em Dom Pedrito, o produtor Neimar Soncini consegue há dois anos 10 toneladas por hectare. Segundo ele, o segredo de tamanha produtividade é escolher bem as variedades, acertar na época de plantio e no uso dos insumos. Em média, os 1 mil hectares cultivados com o grão custam R$ 11,80 por saca, para um gasto médio do estado de R$ 29 por saca e um preço de R$ 25 a saca. “Quanto mais alta a produtividade, menor o custo e maior o lucro”, avalia o produtor.

Mesmo com a estiagem que castiga o estado há quatro anos, ele tem conseguido a mesma produtividade, na metade de lavoura já colhida. “Plantamos no final de setembro e fizemos um bom reservatório de água”, argumenta. O único problema tem sido com a qualidade do grão, que tem saído mais quebrado do que inteiro. Com isso, ele acredita que pelo menos metade da produção seja comercializada a preços até 20% inferiores.

Soncini, no entanto, poderá ser exceção no estado. O governo gaúcho acredita que pelo menos 12% da produção gaúcha tenha quebra devido à estiagem. Com 20% colhido, os preços estão em patamares de R$ 25 a saca, abaixo do custo médio do estado. Por conta disso, a Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) está solicitando ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento o lançamento de contratos de opção privada e que seja barrada a importação do grão argentino.

Apesar de alcançar índices extremos de produtividade, assim como a maioria dos arrozeiros do Rio Grande do Sul, Soncini não utiliza 100% de sementes certificadas. Estima-se que 50% da área cultivada com o grão no estado tenha sementes informais. A idéia de criar um núcleo de produtores de sementes visa a diminuir esses índices.

Hoje, os sementeiros se encontram em Porto Alegre para bater o martelo sobre a organização. “Queremos profissionalizar o segmento de produção de sementes de arroz e, com isso, aumentar a qualidade”, diz Edson Serotti, integrante da comissão que vai criar a associação.

Para Maurício Fischer, diretor-técnico do Instituto Riograndense de Arroz (Irga), Santa Catarina tem a mais alta produtividade do País porque o sistema de cultivo é diferenciado – utilizam o plantio pré-germinado. O técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Paulo Morceli, acrescenta que, diferente do Rio Grande do Sul, as lavouras catarinenses são cultivadas em áreas pequenas. “Isso permite maior dedicação à lavoura”, avalia.

Morceli destaca ainda a região do Vale do Itajaí, onde é possível duas safras ao ano. Ali, cultiva-se o grão mais cedo e, em janeiro, a planta é cortada e rebrota. Naquela localidade, consegue-se até 14 toneladas por hectare com essa prática. O pesquisador José Alberto Noldin, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) acrescenta também o material genético diferenciado, que permite um potencial mais elevado.

Apesar de não vislumbrar um cultivo semelhante ao catarinense, Fischer assegura que é possível aumentar a produtividade com mudanças nas técnicas de manejo, seguindo rigorosamente o calendário de plantio e combatendo precocemente as pragas invasoras.

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