Lavoura inteligente monta sistema de reaproveitamento de água
Irga recomenda o uso racional dos recursos hídricos, como é feito na lavoura da Granja Lasch, em Cachoeira do Sul (RS).
Um sistema inteligente de canais que permite a reutilização de água na lavoura de arroz foi decisivo para garantir bons resultados na Granja Lasch na safra 2004/2005. A colheita de arroz está apenas começando, mas os indícios são de que a produtividade será superior a de anos anteriores. A estiagem que provocou prejuízos em muitas propriedades, com perda de até 100% em algumas lavouras de arroz, passou quase despercebida na Granja Lasch, localizada no município gaúcho de Cachoeira do Sul.
Este foi o primeiro ano de uso do sistema de permite reaproveitar a água da lavoura na própria lavoura de arroz. A iniciativa do produtor Leandro Lasch, que administra a propriedade junto com o pai, Carlos Lasch, e com o tio, Paulo Lasch, é comum e recomendada pelo Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga). A lavoura tem assistência técnica de outro Lasch, Ronaldo, irmão de Leandro.
O sistema de irrigação é considerado modelo para a orizicultura, principalmente depois que os recursos hídricos ganharam destaque nas discussões da cadeia produtiva. É um sistema simples, mas que garante bons resultados. Sem os canais, o prejuízo na safra deste ano seria no mínimo de 30%, podendo chegar a 50%, analisa Leandro Lasch, que investiu cerca de mil sacos de arroz para colocar a rede de canais em funcionamento. O investimento se pagou já nesta primeira safra, comenta Leandro Lasch.
Segundo o engenheiro agrícola Valery Pugatch, especialista em gestão de recursos hídricos, o elevado custo para construção deste tipo de sistema é o principal obstáculo para os produtores colocarem em prática ações como esta. A rede de água, em um circuito fechado de bombeamento, permite estabelecer um reservatório, evitar o desperdício e garantir o abastecimento durante as épocas mais secas. Na Granja Lasch, os 2,2 quilômetros de canais foram melhorados, aumentando a capacidade de irrigação, que utiliza água do Rio Botucaraí.
A água é retirada do rio e levada para uma pequena lagoa antes de entrar no sistema que irriga a lavoura. A água excedente para o arroz escorre para os pontos mais baixos, onde através de valetas volta para o ponto de captação para ser novamente bombeado para as partes mais elevadas.
VANTAGEM
A grande vantagem do sistema inteligente de irrigação está em não perder a água que é usada na lavoura. Na maioria das propriedades, a água usada para irrigar o arroz escapa para arroios e sangas até voltar para os rios ou açudes. A água é considerada um dos principais elementos para a cultura do arroz, pois interfere na composição física do solo e fisiológica das plantas.
Um levantamento do Irga indica que cada hectare cultivado com arroz consome entre 12 mil e 15 mil metros cúbicos de água. Segundo o agrônomo Ronaldo Lasch, com este novo sistema de reaproveitamento da água, o consumo médio pode cair para nove mil metros cúbicos. O inevitável é a evaporação, que pode ficar entre 15% e 20%, analisa Ronaldo Lasch.


