Rodrigues promete esforço na crise do arroz
Argumentos do próprio Governo foram usados para sensibilizar o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que se mostrou receptivo às principais propostas da Federarroz.
Foi positivo o saldo do encontro do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, com lideranças arrozeiras, em Brasília, na última terça-feira. A opinião é do presidente da Federarroz, Valter José Pötter, que chegou ontem (31) à noite no Rio Grande do Sul. Pötter encaminhou uma série de pedidos ao ministro, entre as quais o apoio à ação de defesa comercial ao arroz que foi encaminhada ao Governo Federal. Para os mais de 40 líderes do agronegócio brasileiro presentes no evento, o ministro confirmou que vai manter a posição, já declarada outras vezes, de que o Brasil precisa criar mecanismos políticos, comerciais e econômicos que tornem os produtos agropecuários mais competitivos. Pötter lembrou ao ministro que a Conab, órgão do Governo Federal, publicou um levantamento de produção informando que não seria preciso importar arroz, pois o país atingiu a autosuficiência, mesmo com uma quebra relativa no Sul provocada pela estiagem.
O presidente da Federarroz ainda denunciou que cinco postos de fronteira com o Uruguai e a Argentina encontram-se sem balanças de pesagem, fiscalização e estrutura para realizar amostragem de produtos para defesa fitossanitária. O ministro determinou, juntamente com o delegado do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Rio Grande do Sul, Francisco Signor, a criação de uma força-tarefa para equipar os postos deficientes e irregulares, além de buscar os meios de fazer funcionar as balanças por meio de contatos com outros ministérios. Segundo Pötter, é possível que alguns destes pontos sejam fechados para passagem de cargas.
Os arrozeiros saíram de Brasília com a promessa de empenho do ministro da Agricultura para levantar recursos da ordem de R$ 80 milhões para viabilizar o mecanismo de comercialização dos contratos de opção privados. Os recursos e o mecanismo são pleiteados há 15 meses junto ao Governo Federal. Os produtores e a indústria já chegaram a um acorde que determina preços mínimos de R$ 30,00 para o saco de 50 quilos, com o Governo Federal pagando uma diferença de até R$ 4,00 por saco. A expectativa é de que o mecanismo saia até o final de abril.
O dirigente do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, presente na reunião, assumiu o compromisso de estudar o adiamento da primeira parcela do crédito alongado de custeio, que vence em julho. O pedido foi feito pela Federarroz em virtude dos prejuízos causados pela estiagem e o fato dos preços do arroz gaúcho estarem em baixa. Conceição prometeu estudar o assunto, pois considera muito cedo para fazer estas projeções.
O ministro sensibilizou-se porém com um outro pedido da Federarroz, para que seja prorrogado o financiamento de custeio da lavoura dos produtores de arroz que irrigam com água de rio e que tiveram frustração superior a 30% por causa da estiagem. Muitos destes produtores tiveram que abrir mão de irrigar para que as cidades fossem abastecidas. Seria justo prorrogar o pagamento do custeio, disse Pötter. O ministro encomendou um estudo que aponte em números estes casos. Também foi pedida a revisão da lei que isentou os produtos do Mercosul, principalmente o arroz esbramado e beneficiado, de PIS/Cofins. Pötter considerou positivo o resultado da reunião.


