Produtor precisa se unir para ganhar mais representatividade
Proposta da Festa do Arroz é mostrar a força da união dos arrozeiros.
Sem união entre os produtores, o setor primário brasileiro não terá representatividade suficiente para garantir o atendimento de seus pleitos. A opinião é do presidente da Associação dos Produtores de Arroz do Mato Grosso, Angelo Maronezzi. Para ele, o principal motivo pelo qual a crise no setor vem se arrastando é a desunião dos produtores que há anos estão sustentando a economia do país e não são reconhecidos por isso.
Com importância imensurável na balança comercial, responsável pelo incremento do PIB nos últimos cinco anos, e grande gerador de divisas comerciais, o agronegócio é considerado atualmente o mais sólido eixo da economia nacional, fator primordial para o desenvolvimento do Estado do Mato Grosso, que é essencialmente agrícola. Apesar de todos esses incrementos gerados pelo setor, um grande calo vem comprometendo o desempenho do agronegócio: a representatividade.
ARROZ
Com a cultura do arroz não é diferente. Para o presidente da APA/MT, Angelo Maronezzi, esse tem sido o grande motivo da crise que enfrenta o setor. O produtor está sendo retaliado e procura sempre outras desculpas para justificar. Alguns reclamam do preço, outros da falta de estrutura para escoar a produção e outros ainda dos impostos. Mas na verdade o agricultor está fazendo tudo certo, produzindo e trabalhando da melhor forma, só está esquecendo de mostrar isso, trazer a tona o quanto é importante para o Estado e também para o Brasil. Só que para isso acontecer, é preciso, antes de mais nada, unir os produtores para buscar essa representatividade, argumenta Maronezzi.
Segundo o presidente, a cena de cadeiras vazias é comum nas reuniões dos sindicatos, encontros de produtores e até mesmo nos cursos organizados para setor. Realidade esta que acaba enfraquecendo o poder de barganha do setor que nunca mostra a cara de seus representantes. Vamos citar o exemplo da Festa do Arroz. Se naquela tribuna for cobrado uma postura de uma autoridade política presente, certamente o número de produtores que estiver na platéia vai influenciar a resposta. Se o auditório estiver cheio ele terá um compromisso maior, mas se tiver meia dúzia pouca diferença vai fazer o que ele vai falar, enfatiza Angelo.
Nesta Festa do Arroz autoridades locais, estaduais e até nacionais já marcaram presença. Além da cúpula municipal, que também incentiva a festa, o secretário estadual de Agricultura e o governador do Estado já confirmaram presença. Temos que aproveitar isso para fazer a nossa política, mesmo sem ser político. Com um volume organizado, os produtores podem negociar com essas autoridades ao ponto de fazê-las se comprometer com incentivos para o setor, como redução da carga tributária, estabilidade da pauta ou negociação de preços. Tudo depende da forma com que o agricultor vai se apresentar, bem organizado e forte, ou mais uma vez espalhado e perdido aos olhos do governo, comenta Maronezzi.
É justamente com os seminários e palestras que a APA/MT pretende reunir os produtores. A estimativa é de que 700 produtores participem do círculo de palestras e assim integrem-se definitivamente na Festa do Arroz, que tem como objetivo principal difundir a cultura e buscar rumos sólidos da rentabilidade e do desenvolvimento do setor orizícola.


