Genoma do fungo causador da brusone é seqüenciado

A descoberta se reveste de grande importância porque a doença é a de maior expressão na lavoura de arroz do Brasil.

Pesquisadores revelaram o código genético do mais devastador fungo que ataca o arroz. O trabalho é o primeiro seqüenciamento completo de um patógeno de plantas.

O fungo, chamado Magnaporthe grisea, causa a brusone, que a cada ano destrói volume de arroz suficiente para alimentar 60 milhões de pessoas – uma estimativa conservadora, segundo o patologista Ralph Dean.

Dean, da Universidade da Carolina do Norte (EUA), conduziu um time de 35 cientistas de 11 instituições de pesquisa diferentes, localizadas nos EUA, Reino Unido, Coréia e França. Eles publicaram um artigo na prestigiada revista científica Nature, edição de 21 de abril de 2005, explicando os detalhes da descoberta.

Com o impacto global da brusone em mente, o grupo iniciou estudos para revelar o código genético do fungo há sete anos. Eles esperam que esta codificação, combinada ao seqüenciamento do DNA do próprio arroz, estabelecido em 2002, possa facilitar o desenvolvimento de variedades geneticamente modificadas capazes de resistir à doença, que ataca o arroz em países quentes e úmidos, sobretudo.

“A brusone é uma das doenças mais devastadoras do arroz por causa da sua ampla distribuição e capacidade destrutiva”, diz o IRRI (Instituto Internacional de Pesquisas sobre Arroz), das Filipinas.

Usando técnicas de laboratório padrão para seqüenciamento genético, a equipe determinou que o M. grisea tem 11.109 genes. Outros fungos cujos códigos genéticos já foram revelados apresentam, dentro de um intervalo estatisticamente aceitável, número de genes aproximado ao do M. grisea. A principal peculiaridade do patógeno da brusone é que ele pode secretar 739 proteínas para penetrar e infectar o hospedeiro, duas vezes mais que outros fungos pesquisados.

O código revela que o M. grisea usa uma nova classe de receptores para distinguir seu alvo – o arroz – de outras culturas. Esses receptores são encontrados nos esporos infecciosos do fungo, que podem agressivamente penetrar nas folhas da planta do arroz.

Os pesquisadores notam que a identificação desses receptores é um grande passo na luta contra a doença. Tal informação pode ser usada, por exemplo, para criar um arroz que consiga camuflar a si mesmo, confundindo esses receptores.

Ao identificar os genes e verificar como funcionam, os cientistas podem também estudar meios de bloqueá-los quimicamente, assim como podem criar plantas resistentes aos invasores.

No momento, fortes fungicidas são a única opção contra o M. grisea. Contudo, representam um risco à saúde dos agricultores, prejudicam o meio ambiente e apresentam elevados custos.

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