Cultivo do arroz cresce junto com o Pará
Pólo de Paragominas (PA) deverá produzir 350 mil toneladas de grãos este ano
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O preço das terras paraenses e a possibilidade de reduzir os custos de produção, principalmente no que diz respeito ao escoamento, foram os principais fatores que levaram o produtor rural Edir Chini, de 44 anos, a se instalar no Pará. Chini deixou o Mato Grosso há cinco anos e trouxe na bagagem bastante experiência no plantio de grãos.
Hoje, ele possui 580 hectares plantados de grãos a poucos quilômetros do município de Paragominas, no sudeste do Pará. A cada ano, o produtor aumenta sua área plantada em pelo menos 200 hectares. Até onde ele pretende chegar? O objetivo é chegar aos 1.500 hectares plantados, diz ele.
O caminho percorrido pelo produtor até o pólo de Paragominas (que abrange os municípios de Dom Eliseu, Ipixuna do Pará e Ulianópolis) é o mesmo que muitos produtores vêm fazendo desde 1997, quando começou o plantio experimental de grãos na região.
Este ano o pólo de grãos de Paragominas deverá produzir cerca de 350 mil toneladas de grãos em 70 mil hectares de área plantada. A quantidade estimada para esta safra, que começa em junho, é 20% maior que a do ano passado, quando a região foi responsável por aproximadamente 22% do total da produção de grãos do estado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Pará produziu, em 2004, 1.345.772 toneladas de grãos, sendo 631 mil toneladas de arroz, 551 mil toneladas de milho, 99,4 mil toneladas de soja e 63 mil toneladas de feijão.
Se a média de produtividade for mantida, os produtores do pólo de Paragominas devem colher 55 sacos (3.300 quilos) de soja por hectare; 60 sacos (3.600 quilos) de arroz por hectare e 90 sacos (6.000 quilos) de milho por hectare. O milho e o arroz produzidos destinam-se ao mercado paraense. A soja in natura é vendida, principalmente, para o Maranhão. Atualmente, a produção de grãos é escoada pela rodovia BR-010.
Condições
Atraídos também pelas condições climáticas e de solo fatores que garantem bons índices de produtividade, em alguns casos acima da média nacional , esses agricultores mudaram aos poucos a paisagem da região, caracterizada por grandes áreas alteradas pelas pastagens.
É no trecho entre Paragominas e Ulianópolis que se vê como a cultura dos grãos se estende pela paisagem. Tanto de um lado como de outro da BR-010, observam-se grandes áreas com soja, milho e arroz, sem falar nos silos de armazenagem e nas unidades de beneficiamentos de arroz que também chamam a atenção de quem trafega pela rodovia.
O desenvolvimento da fronteira agrícola na região é resultado direto do apoio que o Executivo Estadual vem dando à verticalização da agroindústria, por meio de incentivos fiscais, à industrialização, que demanda insumos do setor agropecuário, assim como o implemento de obras públicas, como melhoria nas rodovias estaduais e vicinais que beneficiam o escoamento da produção, com menores custos.
Pesquisas
Ao longo dos últimos oito anos, o núcleo da Embrapa em Paragominas, com o apoio da Secretaria Executiva de Agricultura (Sagri), da Emater e da prefeitura municipal, desenvolveu pesquisas para descobrir quais as variedades que melhor se adaptavam ao microclima da região, além de ter difundido novas tecnologias para disponibilizar aos produtores de grãos. No caso da soja, apesar das diversas variedades plantadas na região, a sambaíba domina 90% da área plantada. Aparecem em destaque também as variedades tracajá e candeia.
O plantio de grãos na região de Paragominas começou com um cultivo experimental, o mesmo que estamos fazendo hoje com o algodão, enfatiza o secretário municipal de Agricultura do município, Marcos Amaral.
A maior parte do arroz plantado na região é do tipo bonança, mas encontra-se também talento, aimoré, primavera e cirad. As sementes de milho híbrido cultivadas no pólo são compradas de empresas multinacionais, como a Pioneer. Muitos agricultores também utilizam as variedades lançadas pela Embrapa para pequenos e médios produtores, que são a BR 5102 e BR 106, explica o coordenador do núcleo da Embrapa em Paragominas, Austrelino Silveira Filho.
As pesquisas também equacionaram algumas questões como a fertilidade do solo, a melhor época e a densidade do plantio e o controle de doenças. “Aqui na região, utilizamos, no máximo, uma tonelada de calcário por hectare. E tem produtor que nem precisa utilizar o calcário para corrigir o solo”, diz o pesquisador.


