Mercado não reflete contratos de opção

Expectativa de reação do mercado pela virada de mês e liberação dos contratos de opção privados não se confirmou. Preços seguem caindo no Sul e no Mato Grosso.

O mercado do arroz em casca no Rio Grande do Sul segue em queda livre, mesmo com a aproximação da virada do mês – quando há um aquecimento natural dos negócios – e a realização de um leilão de contratos de opção privados esta semana. O saco de arroz de 50 quilos com 58% de grãos inteiros está sendo cotado entre R$ 20,00 e R$ 21,50 na maioria das regiões do Rio Grande do Sul. A tendência ainda é de queda maior, pois o volume de arroz que está sendo colhido no Estado está acima das expectativas.

Muitos municípios onde havia previsão de quebras significativas estão confirmando safra cheia, como é o caso de Cachoeira do Sul, onde há cinco anos a cooperativa agrícola não recolhia um milhão de sacos na safra, cifra já superada esta semana. É grande a pressão com a oferta de arroz de uma safra que recém chega a 75% da área colhida e mais as importações do Uruguai e da Argentina.

Em Santa Catarina a situação do arroz em casca não difere do Rio Grande do Sul. No Sul catarinense o preço mais comum é de R$ 20,00 pelo saco de 50 quilos de produto com 58% de grãos inteiros. O preço máximo é de R$ 21,00. Na região de Itajaí o produto é comercializado na faixa de R$ 21,50.

MATO GROSSO

O mercado do arroz em casca no Mato Grosso, segundo maior produtor do Brasil, é talvez o mais prejudicado neste momento. O cenário é de grande oferta de produto abaixo de 50% de inteiros, raríssima oferta de arroz de maior qualidade (55% de inteiros acima), indústria não fazendo questão de comprar e produtores não insistindo muito para vender.

Segundo o corretor Jorge Fagundes, da Futura Cereais, esta semana aconteceram negócios de pequena expressão com arroz Cirad 141 posto em Cuiabá por R$ 16,00 o saco (R$ 13,00/FOB Sinop). O arroz primavera de melhor qualidade (53% a 55% de inteiros) é cotado a R$ 21,00 posto em Cuiabá, mas em volumes pequenos. Algumas indústrias já sinalizam com cotação de R$ 19,00 R$ 20,00.

Fagundes explica que o Mato Grosso já não dispõe mais de grandes volumes de arroz primavera de melhor qualidade e que o Cirad 141, que começou a entrar com até 60% de grãos inteiros no início da safra, agora gera uma pressão muito grande de oferta de produto com 47% a 48% de inteiros.

– Os cerealistas do Mato Grosso estão abastecidos com bom volume de arroz primavera e Cirad 141 de melhor qualidade – frisou o corretor.

Segundo ele, ainda assim estas empresas sentem dificuldades de entrar em São Paulo, que está dando preferência ao arroz de melhor qualidade do Sul e do Mercosul que estão entrando com preços muito competitivos.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) divulgou que está comprando 73 mil toneladas de arroz, através da Conab, arroz do Mato Grosso, Tocantins e Rondônia, por meio de Aquisições do Governo Federal (AGFs). Cerca de R$ 33 milhões serão investidos nesta operação e há expectativa que novos recursos sejam liberados para este fim, podendo beneficiar outros estados ainda.

As operações têm por meta fazer com que os preços do mercado atinjam o patamar mínimo fixado pelo governo, de R$ 20,70. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, não está descartada a possibilidade de serem lançados contratos de opção privados para os estados do Centro-Oeste, como forma de completar o apoio dado pelas compras oficiais.

BENEFICIADO

As cotações do arroz beneficiado seguem em queda no mercado brasileiro. O fardo de 30 quilos de arroz gaúcho Tipo 1 é negociado entre R$ 30,00 e R$ 34,00 (posto em São Paulo), mesmo valor praticado em Santa Catarina. O valor mais comum para o fardo gaúcho, posto em São Paulo, à vista, é de R$ 32,00. O saco de 60 quilos de arroz beneficiado é comercializado no Rio Grande do Sul entre R$ 42,00 e R$ 45,00. Posto em São Paulo, pagamento em sete dias, existem negócios na faixa de R$ 57,00 a R$ 60,00.

O arroz beneficiado do Mato Grosso está chegando a São Paulo cotado entre R$ 27,00 (Cirad) e R$ 30,00 (Primavera). A saca de 60 quilos do Cirad chega à capital paulista custando entre R$ 46,00 e R$ 48,00, o Primavera entre R$ 54,00 e R$ 56,00.

QUEBRADO

O canjicão (arroz quebrado) está sendo cotado no Rio Grande do Sul entre R$ 23,50 e R$ 25,00, com média de R$ 24,00 o saco de 60 quilos. A entrada, novamente, de algumas corretoras comprando um volume significativo para uma empresa uruguaia que está realizando uma exportação a partir de Rio Grande, aqueceu este mercado. Está pagando 183 dólares por tonelada.

Segundo estas corretoras, se não fossem as baixas cotações do dólar o mercado de arroz quebrado para exportação estaria muito mais aquecido. Mesmo assim, existe grande movimentação no setor. Na semana passada a empresa Rice Company estava no mercado comprado produto para fechar uma carga para exportação no porto de Rio Grande.

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