Arrozeiros ampliam hoje o número de bloqueios

Principais rodovias gaúchas devem ser bloqueadas até quarta-feira. Mato Grosso e Santa Catarina entram de vez na mobilização.

A falta de uma ação efetiva do Governo Federal para resolver a crise do arroz no Brasil conseguiu fazer o que nem a criação da Câmara Setorial Nacional do Arroz havia conseguido: reuniu arrozeiros de todo o País em torno de objetivos comuns: o fim das importações do Mercosul e de terceiros países, a intervenção no mercado por meio de compra de arroz no Sul e no Mato Grosso e revisão do preço mínimo, entre outras ações.

A articulação conjunta dos movimentos de protesto dos arrozeiros de vários estados brasileiros começou ontem. Uma reunião de produtores do Litoral Norte gaúcho com arrozeiros de oito municípios catarinenses no município de Turvo colocou Santa Catarina no movimento de protesto. Por telefone, o movimento independente de produtores em defesa do agronegócio arroz, do Rio Grande do Sul, articulou-se com um grupo de mobilização lançado no Mato Grosso.

Assim, apesar dos arrozeiros de Jaguarão, na divisa gaúcha com o Uruguai terem levantado a barreira até a próxima quinta-feira, quando representantes do setor se reunirão com o presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, novas frentes serão instaladas a partir de amanhã 10. Arrozeiros de Itaqui, na fronteira com a Argentina mantêm o bloqueio a duas semanas e receberão reforços. Amanhã será fechada a fronteira de São Borja (RS) com Santo Tomé (Argentina) e em Santana do Livramento (RS) com Rivera (Uruguai).

A BR 116, uma das principais do Rio Grande do Sul, que liga Porto Alegre a Pelotas e ao Porto de Rio Grande, será fechada no quilômetro 337, das 8h às 12h, por produtores de Sertão Santana, Tapes, Barra do Ribeiro, Guaiba e outros municípios da região da Planície Costeira Interna. Esta posição é estratégica, pois poderá represar os caminhões de arroz do Uruguai que entram pelas fronteiras do Chuí e de Jaguarão, principalmente, onde não há mais barreiras.

Na próxima quarta-feira a BR 101, que liga o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, deverá ser fechada por mais de 200 arrozeiros do Litoral Norte gaúcho com reforço de produtores catarinenses.

Segundo o vice-presidente da Associação de Arrozeiros de Santo Antônio da Patrulha, Luiz Carlos Machado, uma reunião de mobilização reuniu produtores gaúchos e catarinenses em Turvo, na tarde de hoje 9, para que fosse realizada uma exposição das reivindicações. Até o momento, os arrozeiros de Santa Catarina, que é um dos principais estados produtores do Brasil, se mantinham à margem dos protestos.

Na BR 101 os arrozeiros do Litoral Norte e os catarinenses também estarão em um ponto estratégico, segurando os caminhões que escaparem das demais fronteiras que permanecem abertas e sem balança de pesagem ou fiscalização.

MATO GROSSO

Os arrozeiros do Mato Grosso, que já haviam realizado uma mobilização na semana passada no município de Matupá, também articularam-se com os gaúchos e estão programando uma manifestação para a próxima quarta-feira. Segundo Otto Schmidt, do Movimento de Mobilização em Defesa da Sobrevivência da Agricultura do Mato Grosso, uma reunião na noite de hoje 9, no Sindicato Rural de Sinop, deve dar início à organização do protesto.

A intenção dos arrozeiros do Norte do Mato Grosso, que representam mais de 400 mil hectares plantados e são responsáveis pela produção de um milhão de toneladas de arroz, é fechar a BR 163 em Sinop. A entrega de panfletos apresentando à sociedade as reivindicações e causas do bloqueio e até mesmo o fechamento de buracos da rodovia, que está em precárias condições, podem ser outras ações de protesto dos arrozeiros.

– Estamos vivendo momentos de muitas dificuldades não só com o arroz, mas com a soja e outros produtos agrícolas. E além da crise de preços, ainda temos uma única rodovia para escoamento da safra em precárias condições – explicou Schmidt.

Segundo ele, o arroz Cirad está sendo cotado, hoje, a R$ 10,00 a saca de 60 quilos em Sinop. E mesmo assim, ninguém quer comprar. Segundo ele, a partir do dia 30 de abril, quando começaram a vencer os compromissos da safra, a região sentiu um baque em sua economia, pois poucos produtores conseguiram quitar seus débitos com fornecedores de insumos e mesmo os créditos de custeio.

Os arrozeiros do Mato Grosso acreditam que será editado, pela terceira vez, o movimento denominado “Caminhonaço”, que por duas vezes levou à Brasília produtores de todo o Brasil para reclamar da falta de uma política agrícola efetiva, séria e viável para a agropecuária brasileira.

– Acreditamos que somente com um movimento forte e organizado em todos os estados produtores, como está sendo feito no Rio Grande do Sul, vai ser possível fazer o Governo Federal se mexer e intervir – explicou.

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