Arrozeiros tentam fechar BR 101

Centenas de produtores catarinenses e gaúchos fazem manifestação contra a importação .

Centenas de rizicultores catarinenses e gaúchos estiveram unidos ontem 11/5 pela manhã em protesto devido aos preços baixos do cereal produzido no país e à falta de competitividade provocada pela importação de arroz da Argentina e Uruguai. A manifestação realizada na Vila São João, em Torres (RS), na divisa com SC, culminou com a distribuição gratuita de duas toneladas de arroz aos motoristas de veículos de passagem na BR-101.

A distribuição do cereal foi a forma encontrada pelos organizadores do protesto a simbolizar o baixo preço da saca de 50 quilos, cotada a R$ 20 no Sul de Santa Catarina e, entre R$ 23 e R$ 21 no Rio Grande do Sul. A paralisação do tráfego para caminhões chegou a ser cogitada, mas a Polícia Rodoviária Federal convenceu os organizadores a desistir.

Todos os veículos que passavam pelo local do protesto eram parados, e os motoristas, conscientizados sobre o problema.

O gerente comercial da Cooperativa Agrícola Jacinto Machado (Cooperja), Vinicius Cechinel de Moraes, reconheceu que o protesto não atingiria a mesma dimensão da manifestação realizada em Aceguá (RS), e dos bloqueios nas estradas do Rio Grande do Sul, mas foi a forma encontrada pelos produtores de tentar “sensibilizar” o governo federal para a necessidade de uma intervenção.

– É também o primeiro protesto com apoio dos arrozeiros do Sul catarinense – definiu.

AUDIÊNCIA COM LULA AINDA NÃO TEM DATA

O produtor rural de Viamão (RS), Pedro Barcelos, 46 anos, viajou cerca de 200 quilômetros para se juntar ao protesto promovido pelos sindicatos de produtores rurais e cooperativas arrozeiras.

– O governo precisa comprar arroz para enxugar o produto do mercado. Os leilões de opção privada só movimentaram o mercado. Estamos trabalhando com prejuízo – criticou Barcelos, descontente com as ações de Lula.

Outro objetivo do protesto era buscar uma resposta para a audiência solicitada pelos governadores do Rio Grande do Sul e Mato Grosso, Germano Rigotto e Blairo Maggi, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro estava marcado para o último dia 4, mas foi desmarcado devido a compromissos relacionados ao encontro de cúpula da América do Sul e os países árabes. Até ontem à tarde não havia uma data para o encontro.

O MOVIMENTO PONTO A PONTO

Como começou a crise do arroz?

No ano passado, o Brasil atingiu a auto-suficiência na produção de arroz, ultrapassando as 12,5 milhões de toneladas. Mesmo produzindo mais do que consome, o país continuou importando o grão de países como Uruguai, Argentina, Estados Unidos e Tailândia.

Qual o volume de arroz que o Brasil importa?

No ano passado, foram 1,2 milhão de toneladas do Mercosul e 380 mil toneladas dos Estados Unidos e Tailândia. Em 2005, entre janeiro e abril, as compras dos países vizinhos superaram as 100 mil toneladas.

Por que o arroz nacional não é competitivo diante do importado?

O arroz do Mercosul chega no Brasil custando entre R$ 20 e R$ 22 a saca de 50 quilos. O custo de produção dos concorrentes é até 40% menor, graças à permissão para usar agroquímicos “genéricos” ou de segunda linha, proibidos no Brasil, e aos tributos inferiores. No Uruguai, o governo subsidia a produção devolvendo parte dos impostos aos produtores. Somando essas vantagens, os uruguaios têm uma redução de 15% no custo. Além disso, o arroz importado já beneficiado é isento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no Brasil.

Como estão os preços?

Nas principais praças catarinenses, desde o fim de março, os preços do arroz em casca caíram R$ 2,00 a R$ 3,00 e ficaram em torno de R$ 22 no Vale do Itajaí e em Jaraguá do Sul e, em R$ 20 no Sul do Estado. Nas principais praças gaúchas, desde o fim de março, os preços da saca de 50 kg ao produtor recuaram de 9,5% (em Capivari) a 16 % (em Alegrete), e atingiram de R$ 23,50 a R$ 21,00, respectivamente.

Quais os prejuízos da concorrência?

Os produtores brasileiros são obrigados a praticar preços abaixo dos custos devido à concorrência e do excesso de produto em estoque – motivo pelo qual também não conseguem colocar todo o produto no mercado.

Quem importa arroz?

As compras são feitas por indústrias beneficiadoras de arroz e também por redes de varejo, que compram diretamente dos produtores para embalar com marcas próprias.

Se o Brasil produz excedente, por que não exporta arroz?

Por que o arroz seria o produto “mais protegido e subsidiado do mundo”, ao qual são impostas tarifas de importação que inviabilizam o negócio. Por exemplo, no Peru a tarifa é 25% e, na Europa, 120%, porque o arroz é o produto de sustento de muitos pequenos produtores.

Quem protesta?

Os arrozeiros de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

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