Governo tem recursos para arroz e algodão, diz ministro

O governo também vai disponibilizar recursos do crédito de custeio para que as cooperativas possam comprar insumos e, assim, alongar suas dívidas.

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, anunciou nesta segunda-feira, na Agrishow, que o “governo alocará recursos imediatamente” para socorrer os produtores de arroz e algodão. Segundo ele, nos próximos dias serão definidos os recursos para auxílio na comercialização, como Aquisição do Governo Federal (AGF), Linha Especial de Crédito (LEC), Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e contratos de opção de venda.

Além disso, o governo também vai disponibilizar recursos do crédito de custeio para que as cooperativas possam comprar insumos e, assim, alongar suas dívidas. Rodrigues confirmou ainda que não haverá interrupção na liberação de recursos para os programas de crédito de investimento, como Moderfrota e Moderinfra, de um ano-safra para outro.

O ministro, que antes de falar ouviu vários discursos de lideranças agrícolas que cobraram medidas para reverter a queda do dólar e também reclamaram da taxa de juros, abriu seu pronunciamento dizendo que não fugiria do assunto crise. Segundo ele, a reunião realizada na última sexta-feira, em Brasília, a pedido da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), é o “primeiro capítulo de uma série de ações que serão articuladas pelo governo para responder ao setor”.

Segundo disse Rodrigues, o governo está consciente de que produtores de algodão e arroz vivem uma crise sem precedentes. “Em 40 anos de atividade assisti a várias crises, nenhuma com tal gravidade. Foi um conjunto de fatores inéditos: custos de produção que subiram demais, preços cadentes por causa das safras recordes, dólar, juros e logística sucateada. Indiscutivelmente, há uma crise que afeta a renda de setores importantes do agronegócio”, disse.

Rodrigues antecipou que o Plano de Safra 2005/06, que será anunciado nas próximas semanas, vai considerar os problemas atuais da agricultura e pode conter uma revisão da taxa de juros que atenda melhor o setor. Ele observou que sua pasta trabalha com limitação no orçamento, que neste ano sofre contingenciamento de 80% das verbas. Por isso, o ministro convocou o setor privado a apoiar o produtor, pedindo que toda a cadeia produtiva seja solidária.

“Não devemos deixar que só agricultor sofra sozinho neste momento”. De acordo com o Rodrigues, independente da crise, o “agronegócio será por muito tempo a alavanca para o desenvolvimento do Brasil”. Apesar das críticas feitas por lideranças à política econômica e ao governo que representa, Rodrigues encerrou seu discurso sob aplausos.

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