Preço do arroz recua, mas procura cresce pouco

Valor do quilo do produto básico diminuiu cerca de 25% nos últimos 12 meses nos supermercados de Porto Alegre.

Em meio à crise na agricultura gaúcha por conta dos preços do arroz, alguém tem o que comemorar: o consumidor brasileiro está pagando 20% a menos pelo produto do que há um ano. Nos últimos 12 meses, o preço do grão caiu cerca de 25% no varejo da Capital, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).

O supervisor do órgão, Ricardo Franzoi, afirma que, na comparação com dezembro do ano passado, a diferença é de 30,4%.

– O arroz é o item de primeira necessidade de maior queda, tanto regional quanto nacionalmente – confirma André Braz, coordenador da pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) Brasil, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A fundação divulga amanhã o IPC de maio para Porto Alegre, mas Braz adianta que o arroz é um “destaque especial”. Em todo o país, só o feijão teve redução significativa de preço e, ainda assim, três vezes menor do que a do arroz. A FGV apurou, tanto para o arroz branco quanto para o parboilizado, queda de preço superior a 20% nos últimos 12 meses.

O consumo do produto, entretanto, não acompanha a evolução dos preços. Nas contas do presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Longo, o arroz está 30% mais barato do que em maio de 2004, mas as vendas não cresceram mais do que 5% no período.

Se a dona-de-casa está ganhando de um lado, o produtor rural perde do outro. Francisco Schardong, vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), lembra que o custo de produção dessa safra é de R$ 30,68 por saca de 50 quilos (arroz com casca). Uma diferença de aproximadamente 34% para o valor pago pelo produto – R$ 20.

O problema começou com a entrada irrestrita de arroz uruguaio e argentino no Brasil (principalmente pelas fronteiras gaúchas). O custo de produção 40% inferior ao do Brasil, aliado ao excesso de produto no mercado, derrubou os preços e está levando os agricultores a protestos quase diários em busca de uma solução.

– O problema não depende mais de aspectos técnicos. A solução agora é questão de vontade política – discursa Schardong.

O vice-presidente da Farsul explica que a categoria não pretende fechar as fronteiras do Estado, mas reivindica igualdade de condições para competir com o produto estrangeiro.

O preço médio do arroz em Porto Alegre

Maio/2005 1,28

A diferença

Em relação a maio/2004 – 25,15
Em relação a dezembro/2004 – 30,04
Em relação a abril/2005 – 3,03

Fonte: Dieese

A queda do preço no Brasil (média de sete capitais)
Arroz Branco
Variação acumulada no ano – 6,78%
Variação nos últimos 12 meses – 22,11%

Arroz Parboilizado
Variação acumulada no ano – 8,93%
Variação nos últimos 12 meses – 24,15%

Fonte: FGV

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