Safras estima produção Gaúcha em 5,63 milhões de toneladas

Estimativa fica muito próxima dos dados do Irga, mas distante dos dados da Conab.

Com a colheita já concluída em todas as regiões produtoras do país, é hora de finalizar o trabalho de contabilização da safra, a fim de conferir a produção, produtividade e também as perdas da safra de verão. É principalmente neste momento que começam a surgir as divergências, pois aparecem vários levantamentos diferentes, atestando área, produção e produtividade diferentes, além de estimativas variadas com relação às perdas decorrentes de problemas climáticos, pragas, etc.

Destas vez iremos dispensar mais atenção aos dois principais estados produtores de arroz do Brasil, falando sobre a evolução de suas respectivas produções, produtividades, áreas plantadas, etc.As informações a seguir constam na publicação quinzenal de SAFRAS & Mercado, elaborada pelo analista Aldo Lobo:

Como todos bem sabem, o Rio Grande do Sul há anos ocupa o posto de maior estado produtor de arroz do país. Sua produção corresponde atualmente por cerca de 45% do total nacional, além de ser um estado que apresenta um dos maiores rendimentos médios por hectare. Como se não bastasse, é sem dúvida o estado que apresenta o maior nível de organização da cadeia produtiva do arroz e também o maior nível de profissionalismo no cultivo do cereal. Em suma, é um típico estado arrozeiro, onde as atividades relacionadas ao cultivo, beneficiamento e comercialização do cereal correspondem por uma boa parcela dos empregos gerados no setor agrícola do estado.

Na safra 2004/05, a área plantada com arroz no estado foi praticamente igual à da safra 2003/04, ficando próxima a 1,035 milhão de hectares. Porém, a seca que assolou a região sul desde o final do ano passado acabou causando a perda de algumas lavouras, e com isto, estimamos que a área colhida no estado tenha ficado próxima a 1 milhão de ha.

A falta de chuvas, além de causar a perda de algumas áreas, comprometeu também o rendimento médio das lavouras gaúchas, e nesta safra, a produtividade média no estado ficou em torno de 5.600 kg/ha, cerca de 7,7% abaixo dos quase 6.100 kg/ha colhidos na safra passada. O resultado desta redução de área colhida e também da produtividade foi uma queda de aproximadamente 10,8% na produção gaúcha de arroz, que neste ano atingiu cerca de 5,63 milhões de toneladas, ante pouco mais de 6,3 milhões de t na safra passada.

Apesar desta safra ter ficado abaixo do esperado em 2004/05, o Rio Grande do Sul colheu cerca de 12% a mais do que há dez anos, quando a produção do estado ficou em torno de 5 milhões de t. O interessante é que a área colhida cresceu apenas 2,5% neste período, o que demonstra que, mesmo em um ano de safra ruim por causa de problemas climáticos, houve um crescimento bastante considerável do rendimento médio das lavouras gaúchas. Na temporada 1994/95 os orizicultores gaúchos colheram cerca de 5.200 kg/ha, e esta foi considerada a melhor produtividade média das quatro safras entre as temporadas 1992/93 e 1995/96.

Em 2004/05, mesmo sendo um ano de baixa produtividade, o rendimento médio ficou em torno de 5.600 kg/ha, ou algo em torno de 8% a mais do que há dez anos. Este ganho de produtividade se deu principalmente por causa do desenvolvimento de novas variedades que melhor se adaptam ao clima gaúcho, além dos esforços dos institutos de pesquisa, a fim de reduzir a quantidade de grãos vermelhos e a susceptibilidade da planta às pragas que atacam os arrozais e comprometem seus rendimentos.

Com relação ao segundo maior estado arrozeiro do país, o Mato Grosso, a situação é um pouco diferente do que a verificada no sul do país. Percebemos que no Rio Grande do Sul a área plantada oscilou pouco nos últimos 10 anos, e que o aumento de produção foi uma conseqüência dos ganhos de produtividade. No Mato Grosso, veremos que os ganhos de produtividade foram sensivelmente superiores aos verificados no sul, e que apesar do leve declínio da área plantada no estado, este continua figurando entre os maiores produtores de arroz do Brasil.

Na safra 2004/05 foram cultivados no Mato Grosso cerca de 700 mil hectares de arroz, dos quais 695 mil foram colhidos. O rendimento médio alcançado foi o maior de todos os tempos, ficando em torno de 3.000 kg/ha. A produção do estado ficou próxima a 2,085 milhões de toneladas, confirmando, conseqüentemente, o recorde de produtividade e uma das maiores áreas plantadas de todos os tempos. Para se ter uma idéia, na safra 1994/95 foram colhidos no estado cerca de 471 mil hectares, aproximadamente 49% a menos do que na safra 2004/05.

A produção do estado há 10 anos ficou próxima a 810 mil toneladas, também muito abaixo das quase 2,1 milhões de t colhidas nesta safra. A área plantada oscilou pouco nos últimos 10 anos (cerca de 5%), mas os ganhos de produtividade acabaram quase que triplicando a produção orizícola mato-grossense. Percebe-se que o rendimento médio começou a apresentar elevação constante e significativa a partir da metade da década de 90, justamente quando os produtores começaram a utilizar as novas

variedades de sementes, desenvolvidas exclusivamente para o clima da região. Até meados de 1993, a produtividade média das lavouras de arroz do estado ficava em torno de 1.500 kg/ha, sendo que a partir de 1995, este volume passou para algo em torno de 1.850 kg/ha, patamar em que permaneceu até perto do final da década de 90. A partir de 1999, houve um salto de produtividade no estado, principalmente por causa do aumento do nível de profissionalismo dos produtores e à continuidade do desenvolvimento de novas variedades.

Na safra 1998/99, o rendimento médio verificado no estado foi de quase 2.500 kg/ha. Exceto em 2000/01, quando problemas climáticos castigaram as lavouras de arroz sequeiro da região centro-oeste e a produtividade média ficou em torno de 1.560 kg/ha, a evolução do rendimento não parou mais, chegando em 2004/05 à impressionante marca de 3.000 kg/ha.

No geral, percebemos que as lavouras brasileiras de arroz estão cerca de 52% mais produtivas do que há 10 anos. Nesta safra, o rendimento médio nacional ficou em torno de 3.409 kg/ha, ante 2.240 kg/ha colhidos na safra 1994/95.

A área plantada no país caiu cerca de 13% no período, passando de 4,3 milhões de hectares em 1994/95 para 3,67 milhões de há em 2004/05, enquanto que a produção cresceu 27% no período. Com isto concluímos que este aumento de produção e produtividade no Brasil se deu principalmente por causa da popularização do plantio de arroz em terras altas (sequeiro), pois como vimos na primeira parte desta edição, o rendimento médio das lavouras de arroz irrigado cresceu em uma proporção menos significativa nos últimos 10 anos.

Pelo que se percebe, a tendência para os próximos anos é de que a produção de arroz sequeiro continue crescendo, pois além deste produto ter uma boa aceitação no mercado, sobretudo a variedade Primavera, os custos de produção são muito mais baixos, permitindo aos agricultores venderem o produto a preços mais atrativos, despertando assim o interesse dos consumidores.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter