Tratoraço: setor aguarda anúncio com cautela

Produtores querem garantias para trabalhar sem prejuízos.

Goianos, baianos, gaúchos ou catarinenses. Todos esperam ouvir do presidente Lula garantias para trabalhar sem prejuízo. A verba de R$ 3 bilhões, que pode ser confirmada hoje, daria apenas para cobrir, por exemplo, as dívidas dos produtores do Mato Grosso junto aos fornecedores, aponta o presidente da Federação da Agricultura do Mato Grosso, Homero Pereira.

No Rio Grande do Sul, os débitos junto aos fornecedores ultrapassam R$ 2 bilhões. A diluição dos pagamentos de custeio que vencem em julho também não é exatamente o que busca o segmento.

Segundo o vice-presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, Luis Carlos Heinze (PP-RS), o pedido é de prorrogação das parcelas de custeio de julho e agosto para dezembro. Os arrozeiros, por exemplo, buscam a prorrogação de 50% dos custeios por cinco anos, o que representaria a repactuação de R$ 300 milhões no RS. O reparcelamento do Pesa e da securitização, cujas dívidas antigas ultrapassam R$ 12 bilhões, também tira o sono.

O produtor Ademir Bonazza, de Cruz Alta, deve mais de R$ 1,5 milhão, somando os refinanciamentos anteriores aos custeios e investimentos atrasados. Na atividade desde 1978, espera voltar para casa com a resolução das contas. “A única saída é prorrogação e recuperação de preços.”

Os arrozeiros evitam projeção sobre o resultado das negociações. O presidente da Federarroz, Valter José P”tter, lembra que são dois anos sem uma política de comercialização para o grão. O setor reivindica o pagamento de R$ 25,00 para a saca do grão tipo 58×10 nos contratos de opção, mas, até agora, o aceno era de R$ 23,28.

O governador Germano Rigotto criticou a demora do governo em liberar verbas ao setor durante visita ao acampamento gaúcho. Ele prometeu interceder pelos produtores hoje, no encontro com Lula. A Contag criticou o tratoraço, o que chamou de “calote dos ruralistas”.

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