Anúncio gera frustração e revolta

Manifestantes levaram pleitos ao Palácio do Planalto. Tendência de redução no preço dos insumos agrada ao agricultor, mas não deve resolver crise
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Os produtores ficaram frustrados com os anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que incluíram a revisão de garantias dos contratos de Pesa e securitização e a promessa de um esforço para quebrar, no Congresso, o monopólio de resseguros no país pelo Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), o que deve destravar o andamento do seguro rural.

Os agricultores ficaram insatisfeitos, principalmente, com a lentidão das decisões em Brasília, e definições como a de criar um grupo formado pelos ministérios da Fazenda e da Agricultura e pela Câmara dos Deputados para analisar a prorrogação das parcelas de 2005, do Pesa, e securitização, anunciadas ontem.

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, explicou que o governo ‘vê a idéia com simpatia e boa vontade’, mas há um impedimento legal pelo fato de a renegociação passada ter sido instituída por lei. Caso a medida saia do estudo para a prática, não será extensiva a todos.

A idéia, segundo Rodrigues, é que sejam beneficiados somente produtores com todos os pagamentos em dia até dezembro de 2004. As lideranças exigiam a suspensão das execuções judiciais até a conclusão do trabalho do grupo. Preocupados com o futuro e acumulando dívidas, os produtores vêem como saída a garantia de um preço mínimo que cubra o custo produtivo, destacou o produtor Rodrigo Mennabarreto, de Cacequi. Para o orizicultor, a liberação da entrada de insumos do Mercado Comum do Sul (Mercosul) deverá baixar o custo da lavoura em cerca de 18%. Mas justificou que a medida não resolve o problema. “É preciso preço senão, no ano que vem, continuará a faltar dinheiro para pagar as contas”, observou Mennabarreto, que viajou 3 mil quilômetros esperando ver atendida uma reivindicação que nem sequer estava na pauta: redução de tributos na compra de máquinas.

Aos 27 anos, o arrozeiro André Rossi, de Santa Maria, também esperava por uma definição de preços remuneradores nos gabinetes de Brasília. Por causa da baixa cotação do grão (R$ 18,00 a saca de 50 quilos), a comercialização está parada. Até agora, ele vendeu apenas 30% da produção de 9 mil sacas em 120 hectares. Num ano bom, não teria mais produto. ‘Hoje precisamos preço’, sintetizou André Rossi.

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