Governo frustra expectativa de arrozeiros
Negociações continuam terça-feira, mas o governo manteve-se firme no preço de R$ 23,20 por saco de arroz em casca para os leilões de contrato público de opção. Os produtores pedem R$ 25,00.
A discussão evoluiu, mas os arrozeiros gaúchos, catarinenses, matogrossenses e dos demais estados produtores estão fazendo as malas para voltar aos seus estados nesta sexta-feira (1/7) frustrados. O governo federal não atendeu aos principais pleitos do setor e o mercado manteve-se praticamente parado. O principal pedido do setor para aquecer o mercado neste segundo semestre, de estabelecimento de preço de R$ 25,00 para o saco de arroz de 50 quilos (58% de inteiros) para os leilões de contratos públicos de opção, não foi aceito pelo governo federal. Segundo os produtores, o Ministério da Fazenda está trancando a proposta. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, estaria sensível à proposta. O governo federal manteve sua posição de oferecer R$ 23,20, quando já havia sinalizado até com R$ 24,50. Os R$ 23,20 seriam válidos para os primeiros leilões, realizados em julho para pagamento em agosto.
Uma decisão final pode ocorrer a partir de uma reunião na próxima terça-feira, no Ministério da Agricultura, reunindo os deputados Ronaldo Caiado (presidente da Comissão de Agricultura da Câmara), Luis Carlos Heinze (PP-RS), o senador Aloisio Mercadante (PT-SP), o ministro Rodrigues e o ministro substituto da Agricultura, Ivan Wedekin. Além do impasse sobre valores, o setor ainda pede o estabelecimento de compensações sobre as importações de arroz do Mercosul. Neste caso, o que está sendo negociado é o fim da isenção de PIS/Cofins para o arroz beneficiado e/ou esbramado argentino e uruguaio que entram no Brasil. Hoje, estes produtos têm isenção de 9,25% de tributos.
– Houve algum avanço para o setor agropecuário como o caso das importações de insumos, mas não é possível negar que estamos frustrados pela falta de atendimento dos pedidos do setor arrozeiro. O governo sabe das nossas dificuldades, mas continua demonstrando que quer arroz quase de graça para a população nas vésperas de um ano eleitoral. A inflação baixa e comida barata são as metas. E este custo está sendo pago pelo setor – reclamou Valter José Pötter, presidente da Federarroz.
A diretoria da Federarroz deverá se reunir para avaliar o tratoraço e seus resultados, todavia uma assembléia de produtores só será convocada depois da reunião de Brasília na terça-feira.
– A questão não está fechada. As negociações prosseguem e esperamos uma solução para logo. Enquanto isso, os arrozeiros continuarão mobilizados – avisou Pötter.


