Dia importante para a orizicultura

CNA considerou positivo o saldo final do Tratoraço, mas identifica algumas demandas importantes que devem ser atendidas. Entre elas, o preço do arroz.

Os agricultores esperam receber até a próxima terça-feira (05-07) uma resposta do governo para o pedido de ajuda adicional ao setor agropecuário. “Foi isso que nos prometeu o líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante”, afirmou o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, um dos coordenadores do tratoraço, manifestação que reuniu agricultores em Brasília. Na avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o saldo do protesto foi positivo.

Para Sperotto, as medidas anunciadas pelo governo durante o protesto demonstram que houve “atendimento satisfatório” das reivindicações dos produtores. A mais importante é a liberação de R$ 3 bilhões do caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que os produtores possam quitar dívidas com fornecedores de insumos. Na quarta-feira, governo e representantes dos agricultores negociavam medidas adicionais para o campo, mas a radicalização do movimento dificultou um acordo.

Os organizadores estimam que 25 mil produtores estiveram em Brasília durante a semana, segundo balanço divulgado pela CNA. Os agricultores levaram 2,5 mil tratores para a Esplanada dos Ministérios, além de caminhões e ônibus. Os mais exaltados invadiram, com 200 tratores, os jardins do Congresso Nacional, o que irritou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sperotto lembrou que ainda há “muitas questões a serem resolvidas”, disse.

Os produtores reclamam da quebra de 18,2 milhões de toneladas na safra 2004/05, elevação dos custos de produção, câmbio desfavorável ao comércio exterior e queda nos preços internacionais dos principais produtos agrícolas. O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, também comentou outras medidas anunciadas pelo governo durante o tratoraço em Brasília.

“Também foi positiva a decisão do presidente de autorizar a reavaliação do patrimônio dado como garantia por produtores que contraíram dívidas por meio dos planos de securitização e do Pesa (Plano Especial de Saneamento de Ativos)”, avaliou. Essa reavaliação deverá liberar garantias, permitindo ao agropecuarista ter acesso a nova linhas de crédito, alavancando sua atividade produtiva.

Para o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Mato Grosso (Famato), Homero Alves Pereira, houve a participação de produtores de 13 estados. “Não conseguiríamos trazer tanta gente a Brasília se não houvesse, efetivamente, uma crise instalada no campo”, afirmou. Ele citou, no entanto, que está pendente a fixação do preço de R$ 25 por saca de 50 quilos de arroz.

Os produtores argumentam que a fixação de R$ 25 por saca nos contratos de opção funcionará como um balizamento de preços na comercialização, adequando os valores de venda aos custos de produção.

Também está sem definição o pedido de prorrogação das parcelas de créditos de custeio tomados pelos produtores na safra atual 2004/05. O setor rural quer entre três e cinco anos para a quitação desses débitos. Além disso, o setor produtivo aguarda que até a próxima semana seja anunciada a decisão de suspensão das execuções durante um mês dos produtores que têm parcelas de crédito rural em atraso.

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