Pesquisas com arroz avançam lentamente no Brasil

Desenvolvimento de tecnologias para arroz transgênico do Brasil está atrás de outras pesquisas. A edição 14 da Revista Planeta Arroz traz uma reportagem especial sobre o tema e a opinião dos cientistas da área de arroz sobre a nova Lei de Biossegurança.

No Brasil, as pesquisas para desenvolvimento de variedades transgênicas de arroz avançam em ritmo mais lento do que os estudos com soja, cana-de-açúcar e algodão, entre outras culturas. Atualmente, apenas o Instituto Riograndense do Arroz (Irga) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) desenvolvem arroz geneticamente modificado no país.

A Embrapa – que pesquisa o genoma do arroz desde 2002 em parceria com universidades e entidades do setor – pretende concluir o mapeamento dos genes de resistência à seca e ao frio no fim do ano, para desenvolver variedades transgênicas a partir de 2008. “As variedades comerciais só devem chegar ao mercado depois de cinco a seis anos”, diz Márcio Elias Ferreira, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

Ainda não existem registros de plantio de arroz transgênico e só há um pedido de liberação comercial na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), para uma variedade desenvolvida pela alemã Bayer Seeds.

No Rio Grande do Sul, a UFRGS e o Irga desenvolvem sementes transgênicas resistentes a insetos, utilizando genes da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt). O trabalho começou a ser feito no fim de 2004, e neste momento a pequisa está na fase de testes laboratoriais de novas variedades. “A previsão é que em 2006 tenhamos algumas variedades prontas para testes de campo”, afirma Marcelo Gravina de Moraes, professor do Laboratório de Fitopatologia Molecular da Faculdade de Agronomia da UFRGS.

As instituições também desenvolvem, desde 2002, variedades convencionais de arroz resistente à bruzone, doença causada pelo fungo Pylicularia oryzae, uma das principais pragas da cultura e que pode reduzir a produtividade da lavoura em até 70%. Moraes afirma que os pesquisadores detectaram genes resistentes à doença e que agora farão o melhoramento genético das sementes.

Ele observa que, enquanto uma pesquisa convencional para desenvolver uma variedade demora até dez anos, a pesquisa genética permite reduzir esse tempo para cinco ou seis anos.

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