Bancada apóia setor e tranca pauta
Lideranças e parlamentares esperam por anúncio do governo para votarem LDO e Bolsa Estiagem.
Deputados e senadores da bancada ruralista mantiveram acordo firmado com lideranças representativas do setor primário e adiaram ontem por duas vezes a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) na Comissão Mista de Orçamento do Congresso. Com isso, a desobstrução da pauta em Brasília depende da decisão do governo federal de anunciar hoje o preço dos leilões de opção pública da Conab.
Os produtores ainda esperam pela prorrogação das parcelas de créditos de custeio tomados na safra 2004/2005. Segundo o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), a pressa, agora, é do governo. Pela Constituição Federal, o Congresso só entra em recesso em julho após aprovar a LDO. O recesso parlamentar deveria ter se iniciado em 30 de junho.
O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, que esteve reunido com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, no início da noite, vibrou com a decisão dos parlamentares. ‘Como não tivemos resoluções, foi mantido o acordo.’ Sperotto confia na divulgação de medidas prometidas para hoje. O deputado Orlando Desconsi (PT-RS) ainda relatou que a MP 250, que trata do repasse de R$ 30 milhões referentes ao Bolsa Estiagem às famílias atingidas na região Sul, também ficou trancada. ‘A oposição só aceita votar amanhã (hoje) às 10h caso os pleitos dos produtores sejam atendidos’, evidenciou. Desconsi destacou que a negociação começará às 9h com reunião de líderes.
Ontem à noite, em São Borja, 110 produtores reunidos em assembléia demonstraram frustração com o saldo das negociações nessa terça-feira em Brasília. No entanto, agricultores de Itaqui presentes, que mantém barreira no porto internacional na divisa com o rio Uruguai, garantiram que continuarão com o bloqueio. O grupo poderá contar, inclusive, com reforço de produtores de São Borja.
Em Bagé, a mobilização pode ocorrer no centro da cidade, em frente ao Banco do Brasil, se não vierem respostas favoráveis de Brasília. A afirmação é do presidente da Associação dos Agricultores da Região de Bagé, Ricardo Zago. ‘Só não há novas mobilizações nas estradas da região porque estamos impedidos pela Justiça Federal de Bagé de manifestarmos em áreas de domínio público’, sintetizou o dirigente.


