Josapar começa a vender arroz ao Japão
Josapar responde por 90% das exportações brasileiras de arroz.
A empresa gaúcha Josapar – dona da marca Tio João e uma das líderes do mercado brasileiro de arroz, com 10% de participação – está estendendo sua atuação para o mercado asiático. A empresa é a primeira indústria brasileira a exportar arroz para o Japão. O primeiro embarque – realizado já com a marca do grupo – foi feito em novembro de 2004, num total de 15 toneladas.
Em abril, a empresa entregou outras 40,2 toneladas, importadas pela Tomen Corporation e vendidas para o governo japonês. Luciano Targa, gerente de venda e distribuição da Josapar, diz que há novas entregas previstas a partir de agosto.
– A empresa está colocando os pés no Japão agora, mas a expectativa é que os próximos embarques sejam de volume três vezes maior e com uma periodicidade menor, a cada dois ou três meses – diz Targa.
Ele diz que entrada no mercado japonês está em linha com a estratégia do grupo de conquistar mercados que pagam preços diferenciados para produtos de maior valor agregado. Segundo ele, ainda não é possível prever o potencial de vendas ao país, já que os japoneses estão conhecendo agora o produto brasileiro, mas a meta é elevar o nível de vendas previstas anteriormente.
Ana Morita, gerente da Columbia Trading (responsável pela parte logística das operações), observa que o Japão importa por ano, em média, 600 mil toneladas e os principais fornecedores são os vizinhos Tailândia e Índia.
Em entrevista recente ao jornal Valor Econômico, Augusto de Oliveira Júnior, diretor de relações com o mercado e investidores da empresa, disse que a Josapar neste ano está exportando em média R$ 700 mil por mês, ante R$ 500 mil em 2004. Os embarques têm como destinos América do Sul, América Central e Estados Unidos. Para Targa, gerente de venda, a aceitação do Japão pode abrir portas para a conquista de outros mercados com alto grau de exigência, como a União Européia.
A Josapar – que tem fábricas em Itaqui (RS), Pelotas (RS) e Recife (PE) – beneficia 12 milhões de fardos/ano (360 mil toneladas). Segundo dados enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa faturou R$ 655 milhões em 2004, 8,7% acima do obtido no ano anterior. O lucro líquido no período cresceu 94%, para R$ 24,6 milhões. A expectativa para 2005 é pelo menos repetir o mesmo resultado de 2004.
A Josapar responde por 90% das exportações brasileiras. Segundo dados da Secex, os embarques de janeiro a maio foram de 82,3 mil toneladas, ante 17,2 mil em igual período de 2004. Em receita, houve um salto de US$ 913 mil para US$ 3,2 milhões. Do total exportado, 74,6 mil toneladas são de arroz quebrado, que tem valor agregado baixo e é vendido para países da África e América Central, de acordo com levantamento do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), com base em dados da Secex.
300 MIL TONELADAS
Pery Coelho, presidente do Irga, diz que as vendas externas brasileiras neste ano devem atingir 300 mil toneladas, ante 36,28 mil toneladas do ano passado. Até junho, segundo ele, os contratos fechados já chegavam a 120 mil toneladas.
Ele diz que os preços no mercado externo (hoje de US$ 295 por tonelada) estão mais competitivos que as cotações no mercado interno, hoje na faixa de R$ 20 a saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul. O valor é 33% inferior ao praticado no mesmo período de 2004 e, convertido ao dólar de hoje, corresponde a US$ 167 por tonelada.
Para Coelho, a exportação é uma alternativa para o produtor elevar receita, reduzir volume interno e ajudar a sustentar preços no mercado interno. Os representantes da cadeia reúnem-se hoje (dia 8) em São Paulo para discutir novamente a proposta de entrar com um painel na OMC contra os subsídios praticados pelos EUA à produção de arroz. “A intenção é abrir um contencioso tão logo seja concluído o caso do algodão”.


