Federarroz libera arrozeiros para a disputa de contratos públicos
A estratégia que as entidades arrozeiras do Rio Grande do Sul adotaram para manter baixo o ágio dos contratos públicos de opção no leilão da última quarta-feira (13) foi abandonada. A partir do leilão desta quinta-feira (21) apenas o bom senso dos arrozeiros, o limite de 20 contratos por produtor estabelecido pela Conab e o valor de ágio que cada um está interessado em pagar vão balizar os negócios.
A Federarroz liberou as associações de arrozeiros e os produtores da estratégia que foi adotada no leilão da última quarta-feira (13) para manter baixo o ágio do leilão de contratos públicos de opção. O esquema previa um número determinado de contratos por região, mas foi furado por produtores que entraram na disputa utilizando a Bolsa de Mercadorias de Maringá. Desta forma, muitos produtores que estão na linha de frente dos protestos e tiraram dinheiro do bolso para bancar a participação nos bloqueios de fronteira e no Tratoraço tiveram que sair da disputa para manter baixo o ágio e ficaram no prejuízo.
Estes produtores acabaram servindo de boi de piranha para que outros lucrassem, segundo avaliação de um líder arrozeiro. Consultadas pela Federarroz, as asssociações e lideranças do setor não chegaram a um consenso e, diante disso, a federação resolveu abrir mão da estratégia.
– Não há motivo para a entidade passar por todo este desgaste de novo se existem produtores que não concordam com esta estratégia. Agora, nos leilões, é cada um por si explicou o diretor-executivo da Federarroz, Renato Rocha. A partir do leilão desta quinta-feira (21) apenas o bom senso dos arrozeiros, o limite de 20 contratos por produtor estabelecido pela Conab e o valor de ágio que cada um está interessado em pagar vão balizar os negócios.
Logo depois do primeiro leilão de contratos públicos de opções, na semana passada, um clima de inconformidade e indignação foi criado entre os produtores. Produtores de muitos municípios que foram organizados para as bolsas de mercadorias de Porto Alegre, Pelotas e Uruguaiana, abriram mão da participação para evitar que o ágio fosse maior que os R$ 0,91 por saco. Foi mais um sacrifício para evitar que o preço ao produtor caísse ainda mais e o mercado sinalizasse com valores equivalentes aos atualmente praticados.
A estratégia de outros produtores de participarem do leilão através da Bolsa de Maringá, furando o esquema montado para dar sustentação ao mercado foi considerada um golpe baixo pelos coordenadores do movimento de mobilização, pois havia sido estabelecido o critério de cota máxima por região e produtor em assembléia da categoria no Sindicato Rural de Santa Maria.
Produtores que se retiraram do leilão de quarta-feira, já avisaram que vão disputar contratos. As corretoras já trabalham com a previsão de um ágio entre R$ 1,50 e R$ 1,70 por saco de 50 quilos (base 58% de inteiros). Giuliano Ferronato, da Corretora Mercado, acredita que aqueles produtores que dispõem de arroz acima 60% de inteiros poderão disputar ágio mais alto. É consenso entre os produtores que o governo federal não tem interesse em reduzir o ágio, pois no final das contas acabará pagando menos pelo produto.


